quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Quando julgamento de Moraes e Mendonça será retomado no STF?
Pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a análise, mas processo pode voltar à pauta antes do prazo máximo.
17 de setembro de 2026 06:28
Thyago Lúcio - Portal Arapuan Alejandro Zambrana/STF
Sessão do STF foi marcada por divergências entre ministros durante julgamento. Foto: Alejandro Zambrana/STF

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de investigação contra os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça foi suspenso por até 90 dias, após um pedido de vista apresentado por Flávio Dino, durante a sessão extraordinária desta terça-feira (15).

A análise foi interrompida na primeira questão de ordem, que discutia se os dois ministros deveriam ser julgados juntos ou separadamente.

Quando o julgamento será retomado?

De acordo com o artigo 134 do Regimento Interno do STF, o ministro que pede vista tem 90 dias corridos para devolver o processo.

Após esse período, o caso fica liberado para inclusão na pauta pelo presidente do Tribunal ou da Turma, mesmo que o processo ainda não tenha sido devolvido.


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No entanto, o julgamento pode ser retomado antes do prazo terminar.

Sessão pode voltar antes dos 90 dias?

Sim. Segundo o advogado, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico Arthur Bezerra de Souza Junior, o prazo de 90 dias é máximo, e não obrigatório.

O ministro responsável pelo pedido de vista pode devolver o processo antes, caso entenda que já analisou os pontos necessários.

“Este encurtamento pode se dar no momento em que o próprio ministro, diante da sua própria análise, devolve o processo num tempo menor que os 90 dias”, explicou o especialista.

Na prática, isso significa que o julgamento pode ser retomado a qualquer momento, desde que o processo seja devolvido e incluído em pauta.

Como foi a sessão do STF

Sessão plenária extraordinária do STF. Foto: Alejandro Zambrana/STF

Na abertura da sessão, o ministro Edson Fachin afirmou que “não é um dia comum” e que “o Brasil olha esta Corte”.

Ele pediu aos colegas sensatez, decoro e serenidade, destacando que a divergência faz parte da jurisdição constitucional. Fachin também ressaltou a responsabilidade de preservar a autoridade e a independência do tribunal.

Durante a primeira votação, Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram para manter as ações contra Moraes e Mendonça separadas.

Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram contra a separação dos casos.

O placar chegou a 4 votos a 4. A decisão sobre a questão deveria continuar na semana seguinte, mas Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento.

Discussões marcaram a sessão

Durante o julgamento, Dino criticou Fachin e afirmou:

“Se vai assistir a isso, eu não vou.”

O ministro também discutiu com Fachin sobre o uso da palavra, após uma intervenção durante a fala de Dias Toffoli. A divergência envolveu as regras regimentais para concessão de apartes pela Presidência da mesa.

Dino ainda questionou a decisão de Fachin de assumir a relatoria do caso Master e defendeu a realização de sorteio.

“A capa de Vossa Excelência é igual à minha”, declarou.

Em outro momento, Alexandre de Moraes acusou Mendonça de estar “a serviço de grupo que quis dar golpe” e de conduzir uma investigação fraudulenta. Mendonça rebateu, classificando as acusações como mentiras.

Gilmar Mendes também discutiu com Mendonça e afirmou:

“Em nome de Deus, já se fez muita patifaria.”

O decano acusou ainda Mendonça de encomendar um relatório com viés político-eleitoral e classificou a retenção monocrática de dados sigilosos como uma “conduta mafiosa”.

Ministros declararam impedimento

Durante a sessão, Nunes Marques declarou-se impedido de votar sobre a investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

Dias Toffoli também informou que não participaria da votação.

A ministra Cármen Lúcia afirmou estar em “estado de consternação e tristeza”. Ela disse sentir vergonha ao ver o Brasil concentrado nos debates do Supremo a poucos dias das eleições.

Resumo da Notícia

  • STF suspendeu julgamento após pedido de vista de Flávio Dino.
  • Prazo previsto para devolução do processo é de 90 dias corridos.
  • A análise pode ser retomada antes desse período.
  • O julgamento foi interrompido na discussão sobre separar ou unir os casos.
  • Sessão foi marcada por divergências entre ministros.
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