quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Gilmar Mendes critica condução do caso Master por Fux na 2ª Turma
Decano aponta intervalo insuficiente para análise dos autos e questiona tratamento dado aos integrantes do colegiado
17 de setembro de 2026 11:44
Redação
Ministro Gilmar Mendes (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a condução do julgamento sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Os questionamentos foram formalizados em ofício enviado nesta quinta-feira (17) ao ministro Luiz Fux.

Mendes acusou uma “condução indevida dos trabalhos” por parte de Fux, presidente da Segunda Turma do STF. O motivo apontado foi o intervalo de apenas 22 minutos entre a comunicação ao gabinete dos ministros e o início da sessão extraordinária.

Segundo o decano, o período foi insuficiente para que os integrantes do colegiado analisassem os autos e formassem uma convicção segura sobre a decisão.

“Não é razoável esperar que, nesse intervalo, um julgador examine os autos, compreenda a extensão da medida e forme convicção segura sobre a sua legitimidade”, escreveu Mendes.

Afastamento de Andrei Rodrigues

Andrei Rodrigues foi afastado do cargo em 8 de setembro pelo ministro André Mendonça. A decisão monocrática ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero.

A investigação apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.

No dia seguinte ao afastamento, o delegado foi restituído ao cargo por decisão do ministro Flávio Dino.

Ainda no dia 8 de setembro, a decisão de Mendonça foi levada a referendo na Segunda Turma do STF. O colegiado é formado por Mendonça, Fux, Kássio Nunes Marques, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Gilmar Mendes pediu vista

De acordo com o ofício, o gabinete de Gilmar Mendes recebeu às 9h38 o comunicado oficial sobre a sessão extraordinária, marcada para as 10h.

Assim que o julgamento foi iniciado, Mendes pediu vista, solicitando mais tempo para analisar o caso.

No documento enviado a Fux, o decano afirmou que a dinâmica dos acontecimentos indicaria um possível entendimento prévio entre o presidente da Segunda Turma e o relator do processo.

“Na realidade, pela própria dinâmica dos acontecimentos, surge evidente que, no momento em que o feito foi incluído em pauta, já existia prévio ajuste – não comunicado a parcela dos demais colegas integrantes do colegiado – entre Vossa Excelência, Ministro Luiz Fux, e o Ministro André Mendonça”, escreveu.

Votos foram antecipados

Mesmo após o pedido de vista de Gilmar Mendes, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques anteciparam seus votos às 10h04.

Os dois ministros votaram pela manutenção da decisão de André Mendonça que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.

Mendes também criticou a forma como a sessão foi convocada e afirmou que a medida teria desconsiderado a igualdade entre os integrantes do colegiado.

“Nesse sentido, a designação de sessão por entendimento reservado entre a Presidência e o Relator, à margem dos demais membros, desconsidera a lógica constitucional e regimental”, afirmou.

Segundo o decano, a Presidência da Segunda Turma deveria garantir igualdade entre os julgadores, e não acelerar uma determinada tese.

Ofício não altera decisão

O documento enviado por Gilmar Mendes não possui efeito prático sobre o processo. O objetivo é formalizar os questionamentos do ministro sobre a condução dos trabalhos por Luiz Fux.

Ao final, Mendes solicitou que todos os ministros da Segunda Turma sejam tratados de forma equânime, “sem inclinação por qualquer deles”.

Resumo da Notícia

  • Gilmar Mendes questionou a condução de Luiz Fux em sessão da Segunda Turma do STF.
  • O gabinete do decano recebeu o aviso da sessão apenas 22 minutos antes do início.
  • Mendes pediu vista durante o julgamento sobre o afastamento de Andrei Rodrigues.
  • Fux e Kássio Nunes Marques anteciparam os votos pela manutenção do afastamento.
  • O ofício não altera a decisão e formaliza os questionamentos feitos pelo ministro.
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