
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16). O corte foi de 0,25 ponto percentual e representa a quinta redução consecutiva.
A decisão foi unânime. Segundo o Copom, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram e ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda permanecem acima da meta.
O mercado financeiro também reduziu a previsão para a inflação de 2026, de 5% para 4,9%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (14).
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o que tende a reduzir empréstimos, investimentos e consumo. Com isso, a demanda diminui e há pressão para desacelerar os preços.
Já quando a taxa cai, o crédito tende a ficar mais barato, favorecendo novos negócios, contratações e o consumo.
Segundo o Copom:
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta.”
O Copom afirmou que continua acompanhando a situação fiscal do país e os impactos das decisões do governo sobre a política monetária e os ativos financeiros.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.”
A próxima reunião do Copom será realizada após o segundo turno das eleições.
O Banco Central também destacou as incertezas no cenário internacional, especialmente diante dos conflitos armados no Oriente Médio e das dúvidas sobre a política monetária de algumas economias avançadas.
“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”
Com a nova taxa, o Brasil continua apresentando o maior juro real do mundo, segundo levantamento compilado pela MoneYou.
O indicador brasileiro ficou em 8,45%. A Rússia aparece em segundo lugar, com juro real de 6,79%, enquanto a Colômbia ocupa a terceira posição, com 6,33%.
No levantamento anterior, a diferença entre Brasil e Rússia era de apenas 0,21 ponto percentual, com taxas reais de 9,30% e 9,09%, respectivamente.
O juro real considera, entre outros fatores, a taxa nominal descontada da inflação prevista para os próximos 12 meses.
Enquanto o Brasil reduziu os juros, o Federal Reserve (Fed) aumentou a taxa básica dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual.
A taxa americana passou para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023.
A decisão também foi unânime e ocorreu após cinco reuniões consecutivas sem alteração dos juros.
Segundo o Fed, a economia americana continua crescendo em ritmo sólido e os gastos domésticos permanecem resilientes, apesar das incertezas provocadas por acontecimentos geopolíticos.
A alta do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio também reforçou as preocupações com a inflação.
A política de juros americana também tem reflexos sobre a economia brasileira.
Com os juros dos Estados Unidos em patamar elevado, aumenta a pressão para que a Selic permaneça alta por mais tempo, além de haver possíveis efeitos sobre o câmbio.
Novas projeções divulgadas pelo Fed indicam que a maioria dos integrantes do banco central americano espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto percentual em 2026.
O colegiado, porém, não deu indicações específicas sobre as próximas reuniões.
O Fed afirmou que acompanha a desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo, além dos riscos elevados em torno do cenário econômico.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.”
A definição dos juros segue o sistema de metas de inflação.
Quando as projeções indicam inflação dentro das metas, há espaço para redução dos juros. Quando as estimativas apontam inflação acima do objetivo, o Copom tende a manter ou aumentar a Selic.
Desde o início de 2025, o Brasil utiliza o sistema de meta contínua, com objetivo central de inflação de 3%. O limite de tolerância considera inflação entre 1,5% e 4,5%.
Em junho, após a inflação permanecer seis meses consecutivos acima da meta, o Banco Central precisou divulgar uma carta pública explicando os motivos do descumprimento.
Ao definir os juros, o BC considera principalmente as projeções futuras de inflação, e não apenas a variação recente dos preços.
Isso ocorre porque as mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para produzir seus efeitos completos sobre a economia.
Atualmente, o Banco Central já considera a convergência para a meta tendo como referência o primeiro trimestre de 2028.
Para 2026, 2027 e 2028, as estimativas do mercado financeiro para a inflação são de 4,9%, 4,3% e 3,8%, respectivamente. Todas permanecem acima da meta central de 3%.
*Com informações G1