
A TV Globo decidiu cancelar o debate entre os candidatos à Presidência da República previsto para ser transmitido na noite desta quinta-feira (1º). A emissora tomou a decisão após ser intimada de duas decisões judiciais proferidas por ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) a poucas horas do início do confronto.
Entre as decisões, a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a emissora não mostrasse o púlpito vazio de Lula, alegando potencial desequilíbrio entre os participantes e falta de resposta simultânea. Minutos depois, Flávio Bolsonaro desistiu do debate apontando censura do TSE, enquanto o ministro Gilmar Mendes determinou que a emissora deveria incluir Renan Santos entre os convidados. Horas antes, Cármen Lúcia e Nunes Marques já haviam negado outros pedidos.
Em comunicado, a TV Globo afirmou que as sucessivas decisões judiciais causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade de imprensa, ressaltando que os veículos têm o direito de organizar debates.
Após o cancelamento, os candidatos que já estavam presentes na emissora realizaram uma entrevista coletiva e lamentaram o ocorrido.
Para o candidato do Avante, Augusto Cury, não é possível conhecer ideias sem a realização de debates. Ele classificou o episódio como um atentado à democracia e apontou que apenas 40% da população sabe que ele é candidato, enquanto 60% não sabem, segundo o Instituto Eurásia.
O candidato do Novo, Romeu Zema, criticou fortemente as medidas adotadas no período eleitoral.
Segundo Zema, o país assiste mais uma vez ao judiciário fazer política. Ele declarou que não há oposição à participação de qualquer candidato, mas defendeu que as regras acordadas precisavam ser cumpridas, afirmando que há uma tentativa de manipulação.
O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, classificou as determinações como uma grave afronta à democracia brasileira.
Para Caiado, as decisões do TSE e do Supremo Tribunal Federal destruíram o processo eleitoral no país, tirando dos candidatos a oportunidade de promover debates perante o eleitorado.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram profunda indignação com a intervenção judicial.
As entidades apontam que a alteração nas regras acordadas há meses configura uma agressão à liberdade de imprensa de uma emissora privada, além de atropelar o direito dos cidadãos de terem acesso às propostas dos candidatos.