
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento do juiz Milton Livio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após a divulgação de um vídeo em que o magistrado aparece ingerindo vinho diretamente na garrafa e fumando durante uma audiência virtual.
Apesar de afastado de suas funções, o juiz continuará a receber salário integral no decorrer do processo administrativo. No mês de junho de 2026, o magistrado recebeu uma remuneração líquida de R$ 83.583,55.
O caso registrado durante a sessão telepresencial soma-se a outros episódios e denúncias que compõem o histórico de investigações contra o magistrado. Em abril de 2026, a ex-mulher do juiz registrou um boletim de ocorrência e obteve uma medida protetiva de urgência após relatar ameaças e atos de intimidação. A vítima declarou à polícia que Milton Livio Lemos Salles ameaçou atear fogo no sítio da família, tentou interferir em seu emprego e invadiu sua residência sem autorização.
A conduta do magistrado já havia sido objeto de procedimentos disciplinares anteriores na Justiça mineira. Em junho de 2020, quando atuava na 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte, o juiz ameaçou matar uma desembargadora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais por ter se irritado com a nota recebida em um processo de promoção na carreira. Na ocasião, a sanção aplicada pelo tribunal limitou-se a uma pena de advertência.
A apuração sobre os novos fatos repercutiu na Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais. O presidente da OAB/MG, Gustavo Chalfun, avalia que as denúncias contra o magistrado são gravíssimas e agravam o quadro exposto na gravação da audiência. Para Gustavo Chalfun, o histórico de acusações traz maior gravidade ao caso exibido no vídeo.
Com a decisão do CNJ, o juiz fica impedido de exercer qualquer atividade jurisdicional ou administrativa no Tribunal de Justiça de Minas Gerais até a conclusão do processo administrativo disciplinar. As apurações seguem em andamento no conselho para determinar as responsabilizações cabíveis na esfera funcional.