quinta-feira, 13 de agosto de 2026
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EUA acusam Brasil de ajudar China a driblar tarifas de importação
Relatório dos EUA coloca o Brasil no Nível 2 de países acusados de facilitar o transbordo ilegal de mercadorias chinesas para driblar tarifas
13 de agosto de 2026 16:39
Redação com informações da Agência Brasil
Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos – (Foto: Divulgação/Embaixada dos EUA/Agência Brasil)

Os Estados Unidos incluíram o Brasil em um relatório que acusa cerca de 40 países de ajudar a China a driblar tarifas de importação americanas por meio de transbordo ilegal de mercadorias. O documento foi divulgado nesta quinta-feira (13).

Intitulado “O Grande Esquema do Transbordo”, o relatório classifica os países em diferentes níveis de envolvimento com a China. O Brasil foi colocado no Nível 2, chamado de “Integração Econômica Significativa”.

Além do Brasil, integram esse grupo países como Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia. Segundo o documento, essas nações combinam volumes significativos de transbordo ilegal com integração às cadeias de fornecimento chinesas.

O relatório também cita a presença de plataformas de manufatura, sistemas logísticos e canais regionais de redirecionamento de mercadorias nesses países.

Brasil é citado como plataforma regional

Segundo o documento, Brasil e Turquia atuam como “importantes plataformas regionais de produção e logística”. Os Estados Unidos acusam os dois países de também “simular a transformação” de produtos para alterar sua origem declarada.

O Brasil é mencionado ainda como parte dos “Corredores Latino-Americanos”, utilizados para o redirecionamento de produtos pelos oceanos Pacífico e Atlântico.

O relatório também cita armazenamento em entrepostos aduaneiros e montagem regional de componentes como parte das estratégias utilizadas para redirecionar mercadorias.

EUA classificam outros países

Entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, México, Canadá, União Europeia, Japão e Índia foram classificados no Nível 1, denominado “Líderes de Escala Diversificados”.

Segundo o relatório, esses países e blocos importam grandes volumes de produtos chineses, mas também possuem bases industriais diversificadas e grandes plataformas de exportação para os Estados Unidos.

O documento considera que o risco de transbordo ilegal é intrínseco aos fluxos legítimos de comércio desses mercados.

Já Camboja, Laos e Myanmar foram classificados no Nível 3, chamado de “Pequenos Alvos Oportunistas Chineses”.

Nesse grupo estão economias menores, com volumes mais baixos de transbordo ilegal, que poderiam ser utilizadas pela China por fatores como baixo custo de mão de obra, zonas de livre comércio e acesso portuário ou fronteiriço.

Transbordo pode gerar perdas econômicas

Além do impacto sobre as tarifas, os Estados Unidos afirmam que o transbordo ilegal provoca efeitos secundários na economia, como perda de empregos, redução do Produto Interno Bruto (PIB) e menor arrecadação federal.

O relatório reúne estimativas de diferentes bancos e aponta que as perdas podem variar entre US$ 40 bilhões e US$ 300 bilhões por ano.

O documento também destaca que as importações chinesas atualmente estão sujeitas a uma tarifa de 50% nos Estados Unidos, sem considerar taxas específicas por setor.

Segundo o relatório, essa diferença de alíquotas incentiva a chamada “triangulação comercial”, na qual produtos chineses são enviados aos Estados Unidos por terceiros países.

Peter Navarro comenta relatório

Em publicação no X, o assessor econômico do governo Donald Trump e responsável pelo relatório, Peter Navarro, compartilhou um comentário atribuído ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.

A declaração destacou os prejuízos provocados pelo transbordo ilegal e afirmou que a prática seria uma tentativa deliberada de evitar tarifas.

“Não é só uma violação técnica do comércio, é um esforço deliberado para evitar tarifas. O presidente Donald Trump garantirá que esses bens paguem o que devem”, diz o comentário.

Recentemente, os Estados Unidos aplicaram tarifas contra Brasil, Canadá, União Europeia e outros países por diferentes motivos, incluindo acusações relacionadas a trabalho escravo.

A medida ocorreu em uma tentativa de recompor alíquotas que haviam sido derrubadas pela Suprema Corte dos Estados Unidos no início deste ano.

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