quinta-feira, 9 de julho de 2026
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TSE endurece regras e Eleições 2026 têm novas medidas contra fake news e deepfakes
Resoluções endurecem combate à desinformação e ao uso de IA, ampliam proteção a mulheres e trazem novidades para eleitores e candidatos
6 de julho de 2026 14:02
Redação
Demonstração do uso da urna eletrônica para as eleições de 2006.

As eleições de 2026 serão realizadas sob um conjunto de novas regras aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que trazem mudanças significativas para candidatos, partidos políticos, plataformas digitais e eleitores. Entre as principais novidades, estão o endurecimento das normas sobre o uso da inteligência artificial (IA) na propaganda eleitoral, novas responsabilidades para redes sociais no combate à desinformação, medidas para ampliar a proteção às candidaturas femininas, ações de acessibilidade para pessoas com deficiência e novas garantias voltadas às comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais.

As mudanças foram estabelecidas por meio de diversas resoluções publicadas pelo TSE, que atualizam a legislação eleitoral para o pleito deste ano e buscam garantir maior transparência, segurança e equidade durante todo o processo eleitoral. Confira no quadro abaixo no fim da matéria.

Inteligência artificial passa a ter regras mais rígidas

Uma das principais mudanças para as eleições de 2026 diz respeito ao uso da inteligência artificial na propaganda eleitoral.

As alterações na Resolução nº 23.610/2019 determinam que fica proibida a divulgação ou republicação de conteúdos produzidos com IA que utilizem imagem, voz ou qualquer representação de candidatos e figuras públicas nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas posteriores ao encerramento do pleito.

A proibição vale tanto para publicações orgânicas quanto para conteúdos impulsionados.

Além disso, sistemas de inteligência artificial ficam proibidos de:

  • sugerir ou ranquear candidatos;
  • indicar preferência eleitoral;
  • recomendar votos;
  • criar ou alterar fotografias e vídeos envolvendo candidatos em cenas de nudez ou conteúdo sexual;
  • produzir propaganda eleitoral com conteúdos que representem violência política contra a mulher.
Ilustração Portal Arapuan, criação com apoio de IA

Outra novidade importante é a possibilidade de inversão do ônus da prova em ações envolvendo conteúdos produzidos com inteligência artificial. Nesses casos, quem publicou o material poderá ser obrigado a demonstrar que as informações correspondem à realidade e explicar como a tecnologia foi utilizada.

A Resolução nº 23.757/2026 também estabelece que o uso de conteúdo sintético em desacordo com a legislação poderá caracterizar abuso dos meios de comunicação e abuso do poder político ou econômico, podendo resultar na cassação de diploma ou mandato.

Justiça eleitoral estará atenta ao uso da inteligência artificial (Foto: Reprodução / Freepik)

Plataformas digitais terão mais responsabilidades

As novas resoluções ampliam as obrigações das plataformas digitais durante o período eleitoral.

Entre as determinações estão:

  • indisponibilização imediata de conteúdos considerados idênticos ou substancialmente equivalentes aos já removidos por decisão da Justiça Eleitoral, mesmo sem nova ordem judicial;
  • criação de ferramentas que permitam a candidatos, partidos e federações denunciar irregularidades;
  • remoção de conteúdos impulsionados que contenham violência política contra a mulher, informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação ou incitação a crimes contra a democracia.

As plataformas também poderão ser responsabilizadas pelo descumprimento dessas determinações.

Outra medida prevê a remoção de perfis falsos e robôs (bots) que, de forma reiterada, pratiquem crimes eleitorais ou disseminem desinformação sobre o processo eleitoral.


Novas proibições na propaganda eleitoral

As regras também reforçam outras condutas proibidas durante a campanha.

Entre elas estão:

  • propaganda ou assédio eleitoral em ambientes de trabalho públicos e privados;
  • utilização de perfis de redes sociais para propaganda eleitoral em situações vedadas pela legislação;
  • realização de competições ou premiações que ofereçam vantagem econômica para incentivar publicações político-eleitorais.
Sede do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (Foto: Divulgação / Assessoria)

Proteção às mulheres é ampliada

As novas resoluções também fortalecem o combate à violência política de gênero.

Entre as principais mudanças estão:

  • inclusão das despesas com prevenção e combate à violência política e contratação de segurança para candidatas e candidatos como gastos eleitorais;
  • prioridade na tramitação dos pedidos de registro de candidaturas femininas às eleições proporcionais quando houver indeferimento;
  • possibilidade de eleitoras e eleitores que estejam sob medida protetiva serem dispensados da convocação para atuar como mesários ou no apoio logístico das eleições.

Programa “Seu Voto Importa” amplia acessibilidade

Outra novidade das eleições de 2026 é a criação do programa Seu Voto Importa, implantado nacionalmente pelo TSE.

A iniciativa oferecerá transporte individual gratuito para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida no dia da votação.

Como solicitar

O pedido deverá ser apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral até 20 dias antes da eleição.

Cada solicitação será analisada individualmente, considerando fatores como:

  • grau de limitação funcional;
  • existência de transporte público acessível;
  • distância até o local de votação.

A confirmação do atendimento ocorrerá até 48 horas antes da votação.

O TSE ressalta que o programa não substitui a obrigação do poder público de garantir transporte coletivo gratuito nos dias das eleições.


Comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais terão novas garantias

As resoluções também ampliam as ações afirmativas voltadas às populações vulneráveis.

Entre as medidas previstas estão:

  • capacitação específica de mesários que atuarão em territórios indígenas e quilombolas;
  • consulta prévia às comunidades antes das atividades da Justiça Eleitoral nesses territórios;
  • oferta de transporte no dia da votação;
  • possibilidade de votação em seção temporária para indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, moradores de rua e assentados rurais.

No financiamento eleitoral, o TSE também reforçou as regras de distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Os valores destinados às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas deverão ser utilizados exclusivamente nessas campanhas.

Para candidaturas de pessoas negras, o percentual mínimo de recursos permanece em 30% do total recebido pelo partido. Já os recursos destinados às candidaturas indígenas deverão ser distribuídos proporcionalmente por gênero.

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Auditoria das urnas ganha novos procedimentos

As mudanças também alcançam a auditoria das urnas eletrônicas.

A Resolução nº 23.758/2026 padroniza o Teste de Integridade com Biometria e estabelece novos procedimentos, como:

  • registro formal da presença dos participantes;
  • emissão e identificação da zerésima e do Boletim de Urna (BU);
  • assinatura obrigatória da ata pela autoridade judicial;
  • proibição de fotografias e filmagens por parte dos eleitores convocados.

As auditorias continuarão sendo transmitidas ao vivo pelos canais oficiais dos Tribunais Regionais Eleitorais.


Outras mudanças para as eleições de 2026

Além das principais alterações, o TSE também promoveu mudanças em outras normas eleitorais.

Pesquisas eleitorais

As empresas responsáveis por pesquisas deverão apresentar declaração formal do estatístico responsável, reconhecendo ciência das penalidades previstas para levantamentos fraudulentos.

Vacância de mandato

Foi regulamentada a hipótese de vacância em cargos do Senado e da Câmara dos Deputados. Quando restarem menos de 15 meses para o fim do mandato e não houver suplente, não será realizada nova eleição.

Calendário eleitoral

Recursos contra o indeferimento de pedidos de primeiro título eleitoral passarão a ter tramitação prioritária.

Representações eleitorais

As resoluções também diferenciam as representações comuns das representações especiais, que tratam de infrações capazes de resultar na cassação de mandato.


Ilustração Portal Arapuan com apoio de IA

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