segunda-feira, 17 de agosto de 2026
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El Niño pode atingir força histórica e ameaçar safra brasileira
NOAA prevê até 95% de chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro, aumentando riscos para soja e milho no Brasil
17 de agosto de 2026 16:24
Redação com Band.com
Milho – (Foto: Wenderson Araujo/Trilux)

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou a probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” nos próximos meses, aumentando a preocupação com os impactos sobre o agronegócio brasileiro.

A intensificação do fenômeno ocorre justamente durante o período decisivo para o plantio e desenvolvimento da safra nacional de grãos, que deve começar em setembro em algumas regiões.

Segundo as projeções atualizadas da NOAA, o El Niño tem 93% de probabilidade de alcançar a classificação de “muito forte” entre setembro e novembro.

Para o trimestre entre outubro e dezembro, a possibilidade aumenta para 95%.

O relatório técnico da agência norte-americana aponta ainda 69% de chances de o fenômeno registrar a maior intensidade desde 1950, quando teve início a série histórica de monitoramento das temperaturas dos oceanos.

El Niño aumenta preocupação no campo brasileiro

O El Niño ocorre devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, provocando alterações nos padrões de temperatura e circulação de umidade em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, o fenômeno costuma provocar risco de estiagem em áreas produtoras do Centro-Norte e chuvas excessivas no Sul.

O cenário preocupa principalmente porque a possibilidade de períodos mais secos coincide com a janela de plantio da soja e do milho.

A falta de umidade regular durante a fase inicial de desenvolvimento das plantas pode prejudicar o rendimento das lavouras e reduzir o potencial produtivo da temporada.

Entre os principais exportadores de commodities agrícolas, o Brasil está entre os países mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno sobre a produção.

Estados Unidos podem ter cenário favorável

Enquanto o Brasil enfrenta possibilidade de impactos negativos, as projeções para os Estados Unidos indicam condições mais favoráveis.

No país norte-americano, a atuação do El Niño costuma aumentar os volumes de precipitação.

Esse cenário tende a beneficiar os ciclos agrícolas locais e contribuir para boas condições de desenvolvimento e colheita.

Efeitos do El Niño devem se espalhar

A cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux, explicou que os efeitos do fenômeno ganham maior dispersão geográfica à medida que o ano chega ao fim.

Segundo a pesquisadora, as alterações costumam ser mais limitadas durante o verão do Hemisfério Norte.

Posteriormente, os impactos tendem a se espalhar gradualmente pelo restante do planeta nos meses seguintes.

Michelle L’Heureux também afirmou que efeitos imediatos do fenômeno já podem ser observados em diferentes continentes.

De acordo com a cientista, Indonésia, Filipinas, América Central, partes da África e Índia registraram chuvas abaixo da média nos últimos meses.

Em contrapartida, regiões do Chile apresentam volumes elevados de precipitação.

A especialista destacou ainda que o El Niño permanecerá ativo pelo menos até o outono do próximo ano no Brasil, período correspondente à primavera no Hemisfério Norte.

Diante desse cenário, a evolução do fenômeno exigirá acompanhamento constante por parte dos produtores rurais, especialmente durante o período de plantio e desenvolvimento das principais culturas agrícolas.

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