
Pelo menos 98 pessoas morreram nesta quarta-feira (26), após uma cheia devastadora atingir uma região na fronteira entre o Nepal e a China. A tragédia foi provocada por uma avalanche de lama e escombros que rompeu a margem de um rio, soterrando construções e deixando centenas de pessoas desaparecidas.
A Polícia do Nepal informou 95 mortes e cerca de 28 agentes desaparecidos. Na China, a imprensa estatal relatou inicialmente três mortos e 265 desaparecidos. Ainda não está claro se há sobreposição entre os números divulgados pelos dois países, já que as autoridades chinesas informaram que os dados ainda estão sendo verificados.
Equipes de resgate trabalham em meio à água e à lama na tentativa de localizar sobreviventes. Imagens divulgadas pela polícia nepalesa mostram a força da cheia, que arrastou casas no distrito de Rasuwa.
A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida de uma popular rota de trekking de Langtang, além de outras áreas utilizadas por viajantes que participam da peregrinação hindu até Kailash Mansarovar.
Segundo o Ministério da Cultura, Turismo e Aviação Civil do Nepal, cerca de 403 turistas ainda não foram localizados, sendo 341 estrangeiros. Entre os desaparecidos estão cidadãos dos Estados Unidos, Índia, Malásia, Reino Unido e um australiano, além de 62 viajantes nepaleses.
O professor Suman Chalise, de 34 anos, relatou ter presenciado o momento em que a força das águas arrastou caminhões, casas e pessoas.
“Foi absolutamente desolador (…) fui testemunha de uma devastação de uma magnitude que nunca tinha visto nada igual”, afirmou.
As causas das inundações ainda não foram confirmadas. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, afirmou que um terremoto pode ter provocado um deslizamento de terra, que teria bloqueado o curso de um rio e causado o aumento do volume de água.
A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres informou que imagens de satélite da Planet Labs indicam que um deslizamento de neve e rochas na fronteira entre Nepal e China pode ter provocado as inundações.
O Exército nepalês realiza buscas aéreas e informou ter resgatado 114 pessoas no distrito de Rasuwa, uma das áreas mais afetadas.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, pediu união e paciência à população diante da dimensão da tragédia. Segundo ele, o governo está mobilizando recursos para realizar os resgates e prestar atendimento às vítimas.
“Quero assegurar-lhes que vocês não estão sozinhos neste momento difícil: o Estado está com vocês com todos os seus meios e recursos”, declarou.
Shah também afirmou que o governo assumirá a responsabilidade pelo resgate, atendimento médico, alimentação e alojamento das pessoas afetadas.
As autoridades ainda não conseguiram dimensionar completamente os danos. A polícia informou que moradores próximos às margens do rio foram orientados a se afastar da área.
Na China, a emissora estatal CCTV informou que o deslizamento ocorrido no lado nepalês provocou vítimas e desaparecidos na região de Gyirong, passagem que conecta o Tibete ao Nepal.
O presidente chinês, Xi Jinping, pediu que as equipes façam todos os esforços para localizar e resgatar os desaparecidos, além de atender os feridos e reduzir o número de vítimas.
Inundações e deslizamentos de terra são frequentes durante a temporada de monções no verão do hemisfério norte, especialmente no Nepal e em outras regiões do sul da Ásia.
Segundo cientistas, as mudanças climáticas contribuem para o aumento da intensidade e da frequência desses fenômenos extremos.