
Os candidatos à Presidência da República em 2026 apresentam planos opostos para o sistema tributário brasileiro, divididos entre propostas de corte de impostos sobre consumo e desoneração de empresas, de um lado; e aumento da taxação sobre grandes fortunas, heranças e rendas de capital, de outro.
Na vertente liberal de direita, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) concentram suas iniciativas em reduzir tributos sobre famílias e simplificar regras para o setor produtivo. Já entre as candidaturas de esquerda, Edmilson Costa (PCB) e Samara Martins (UP) defendem mudanças estruturais na arrecadação, com foco em cobrar mais dos mais ricos e aliviar a carga sobre trabalhadores.
Veja abaixo como as propostas se organizam e quais são os principais pontos de divergência entre os planos.
No campo liberal, o programa de Flávio Bolsonaro (PL) destaca o eixo chamado “Brasil Mais Barato”, voltado para reduzir o peso dos tributos sobre o consumo das famílias. A prioridade é redimensionar a reforma tributária em curso, diminuindo o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) previsto na nova legislação.
Segundo o plano, o candidato defende também o fim de exceções fiscais permanentes criadas por pressão de setores específicos da economia. A ideia é simplificar o sistema, garantir a não cumulatividade dos impostos, evitando cobrança em cascata ao longo da cadeia produtiva, e ampliar a desoneração de investimentos.
O programa menciona ainda a intenção de retomar medidas federais já adotadas no passado para baratear tarifas de energia elétrica, telefonia e combustíveis, com o objetivo declarado de reduzir o custo de vida e estimular o consumo.
Romeu Zema (Novo), por sua vez, organiza suas propostas econômicas no chamado “Plano Implacável”, com forte ênfase na desregulamentação e na simplificação tributária. O foco é reduzir entraves para empresas e trabalhadores formais. Entre as medidas, o candidato propõe:
Na outra ponta, as candidaturas de esquerda defendem que o financiamento das políticas públicas e o equilíbrio fiscal devem se apoiar em maior contribuição das faixas mais ricas da população, com redução do peso de impostos indiretos pagos no consumo diário.
A plataforma de Edmilson Costa (PCB) propõe uma reforma tributária baseada em impostos fortemente progressivos, com ênfase em diminuir a carga sobre bens e serviços e aumentar a arrecadação sobre patrimônio, renda e capital. O objetivo declarado é deslocar a base de financiamento do Estado para o topo da pirâmide social.
Entre as medidas listadas pelo programa do PCB estão:
Na visão do PCB, essas medidas permitiriam reduzir tributos que incidem sobre produtos e serviços consumidos pela população de baixa e média renda, ao mesmo tempo em que ampliam a participação de grandes patrimônios no financiamento do orçamento público.
Além da taxação de grandes fortunas, os programas de esquerda também apontam para políticas de alívio direto ao orçamento dos trabalhadores e de revisão dos pagamentos da dívida pública federal.
Como medida de isenção, Edmilson Costa propõe tornar isento do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) todo trabalhador que receba mensalmente até o valor do salário mínimo calculado pelo Dieese, parâmetro que considera o custo de vida efetivo das famílias. A proposta busca ampliar a faixa de renda livre de imposto para quem está na base da pirâmide.
Já a candidata Samara Martins (UP) apresenta como eixo central de seu programa econômico a suspensão temporária do pagamento de juros e amortizações da dívida pública federal a grandes investidores e instituições financeiras.
A partir dessa suspensão, a UP defende a realização de uma auditoria detalhada da dívida pública, com análise das condições de contratação, renegociação e destinação dos recursos.
De acordo com a candidata, o objetivo é redirecionar parte significativa do orçamento hoje destinada ao serviço da dívida para áreas como habitação, saneamento básico, saúde e educação pública.