
Reeleito para o quarto mandato como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de negociar com um Congresso de maioria oposicionista a partir de 2027 para aprovar propostas do governo. O crescimento do PL, partido de Flávio Bolsonaro, derrotado na disputa presidencial, amplia o peso da articulação política na próxima legislatura.
O PL elegeu 121 deputados federais e 28 senadores para o período que começa em 2027, formando as maiores bancadas partidárias das duas Casas. A nova composição foi divulgada pela Câmara dos Deputados e pela Agência Senado.
Além do tamanho das bancadas, o apoio de partidos de centro a Flávio Bolsonaro no segundo turno pode influenciar as negociações em torno das propostas do governo. PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo declararam apoio ao candidato, enquanto parte do MDB também ficou ao lado dele.
Nesse cenário, Lula precisará construir alianças para avançar com projetos de lei, propostas de emenda à Constituição (PECs) e outras medidas. O PT e os partidos aliados terão de buscar votos além de suas próprias bancadas.
Entre os partidos citados como aliados do presidente estão:
A composição das bancadas será um dos fatores considerados nas negociações para aprovar propostas no Congresso. A governabilidade depende, entre outros aspectos, da capacidade do Executivo de construir apoio parlamentar para suas iniciativas.
Entre as propostas que Lula pretende defender está uma PEC para garantir gratuidade no transporte público, promessa apresentada na reta final da campanha. A medida precisará de apoio parlamentar para avançar.
Outro tema citado durante a campanha foi a mudança da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com duas folgas remuneradas por semana.
Nos últimos meses, Lula se reaproximou dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nesse período, o governo obteve aprovações legislativas, como o fim da chamada taxa das blusinhas e o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs).
A manutenção desses apoios e a participação de aliados em cargos estratégicos do Congresso estarão entre os pontos de atenção do novo governo.
As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão previstas para fevereiro de 2027, no início da nova legislatura. Os deputados e senadores eleitos em 2026 tomarão posse em 1º de fevereiro.
As articulações para definir o comando das Casas já começaram. O PL manifestou interesse em ampliar sua influência no Congresso e disputar as presidências, mas a intenção provocou movimentações entre partidos do Centrão.
Na Câmara dos Deputados, Hugo Motta articula apoio de partidos de centro e da esquerda para tentar permanecer na presidência. Segundo o texto-base, ele já conta com o apoio de 10 partidos do Centrão e de três siglas de esquerda: PDT, PSB e PV. O PT também sinalizou que poderá apoiar sua permanência.
Com a formação desse bloco, o PL poderá precisar negociar espaço em cargos estratégicos da Casa, como a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e posições na Mesa Diretora.
O partido terá a maior bancada individual da Câmara, com 121 deputados eleitos para a próxima legislatura. <Link url=”https://www.camara.leg.br/noticias/1309192-pl-sai-na-frente-na-eleicao-da-camara-dos-deputados-com-121-eleitos” title=”Confira os dados oficiais da Câmara.”/>
No Senado, a disputa também envolve o controle da pauta legislativa e a tramitação de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente da Casa tem papel central na análise desses pedidos, conforme as regras regimentais. Davi Alcolumbre já descartou abrir processos de impeachment contra ministros do STF, enquanto o PL sinalizou interesse em disputar a presidência com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Alcolumbre, por sua vez, articula a própria reeleição. Uma das estratégias relatadas é buscar apoio de senadores do PL que mantêm proximidade política com ele, como Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado.
Aliados de Alcolumbre estimam que ele pode reunir ao menos 49 votos, número obtido por Rodrigo Pacheco em 2023. Outros interlocutores projetam um cenário mais apertado, com 44 votos.
A quantidade de votos necessária varia conforme o tipo de proposta e a Casa legislativa.
Para autorizar a abertura de processo de impeachment contra o presidente da República, o vice-presidente ou ministros de Estado, são necessários 342 votos na Câmara. No Senado, são necessários 54 votos para condenar e afastar a autoridade.
No caso de ministros do STF, o processo de impeachment tramita no Senado, onde também são necessários 54 votos para a condenação.