
Líder sindical, fundador de partido, deputado constituinte e o único brasileiro eleito quatro vezes para o cargo de presidente da República por vias democráticas. A história política de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito neste domingo para seu quarto mandato, se confunde com o próprio processo de redemocratização do Brasil nas últimas décadas.
Nascido em Garanhuns, no agreste pernambucano, e migrado ainda criança para o estado de São Paulo, Lula ingressou no mercado de trabalho na infância até formar-se como torneiro mecânico pelo Senai, passo fundamental para sua entrada na categoria dos metalúrgicos.
Sua projeção pública começou a se desenhar nos anos 1970, quando assumiu o comando do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, na Grande SP. No topo do movimento operário, liderou as históricas greves do ABC Paulista em pleno regime militar, desafiando a repressão e tornando-se um dos principais expoentes da oposição sindical no país.
A atuação levou à sua prisão por 31 dias em 1980, sob a Lei de Segurança Nacional, episódio que consolidou sua imagem como liderança popular de alcance nacional.
No início da década de 1980, articulando com intelectuais, religiosos da Teologia da Libertação e lideranças comunitárias, Lula participou ativamente da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e, posteriormente, da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Na política institucional, teve papel destacado na campanha das Diretas Já e, em 1986, iniciou sua longa sequência de disputas diretas nas urnas.
Ao longo de quatro décadas de vida pública, Lula construiu um dos currículos eleitorais mais extensos da história recente do país:
Após os sucessivos testes nas urnas durante as décadas de 1980 e 1990, o divisor de águas de sua carreira ocorreu em 2002. Ao moderar o discurso, assinar a “Carta aos Brasileiros” e formar uma aliança estratégica com setores do empresariado, Lula conquistou finalmente o Palácio do Planalto. Assumiu a Presidência em 2003 e governou até 2010.
Seus dois primeiros mandatos foram marcados pela expansão de programas sociais de grande impacto, como o Bolsa Família, políticas de valorização real do salário mínimo, estabilidade econômica e projeção externa do Brasil em fóruns multilaterais e no bloco dos Brics. No mesmo período, seu governo enfrentou turbulências políticas expressivas, como o escândalo do Mensalão em 2005.
Após deixar o governo com recordes de aprovação e viabilizar a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), Lula viveu o período mais dramático de sua carreira a partir de 2014, quando se tornou alvo central da Operação Lava Jato. Preso em 2018 em Curitiba, permaneceu 580 dias detido e ficou fora da disputa eleitoral daquele ano. Em 2021, suas condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a suspeição das investigações e restituiu seus direitos políticos.
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Habilitado para voltar às urnas, Lula articulou em 2022 uma ampla frente partidária —reunindo do centro à esquerda e trazendo o ex-adversário Geraldo Alckmin (PSB) como vice. Venceu a disputa mais acirrada e polarizada desde a redemocratização e, em janeiro de 2023, tomou posse para o seu terceiro mandato presidencial, voltado à reconstrução de políticas sociais, agenda ambiental e reposicionamento diplomático.
Neste domingo, Lula entrou para a história política do Brasil como o primeiro a conquistar quatro mandatos à Presidência. Ele também se tornou o primeiro candidato presidencial a virar do primeiro para o segundo turno, além de ser o primeiro a vencer pai e filho nas eleições.