
O Portal Arapuan transmite ao vivo, a partir das 10h desta terça-feira (15), a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que vai analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Assista abaixo.
O julgamento ocorre após a divulgação de conversas extraídas do celular de Vorcaro. Os ministros vão avaliar se o conteúdo apresenta elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação contra Moraes.
A sessão também poderá discutir a validade do relatório policial. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defende a anulação e o arquivamento do documento por supostas falhas formais na origem da apuração.
A sessão do STF foi convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, diante das divergências entre os integrantes do tribunal sobre o relatório da Polícia Federal e as mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes.
Os ministros deverão discutir se as mensagens reunidas pela Polícia Federal justificam a abertura de algum tipo de apuração contra Alexandre de Moraes.
Mesmo que o relatório seja considerado nulo por questões formais, o plenário poderá avaliar se os dados apresentados são suficientes para determinar uma nova análise do material.
Entre os principais pontos estão:
A PGR sustenta que o relatório foi produzido a pedido do ministro André Mendonça, sem provocação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal e sem comunicação à Presidência do STF.
O julgamento seguirá o rito habitual do Supremo Tribunal Federal.
Inicialmente, será realizada a leitura da ata da sessão anterior e os cumprimentos aos ministros. Em seguida:
Também existe a possibilidade de um ministro pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar os autos. Caso isso aconteça, o julgamento poderá ser adiado por até 90 dias, empurrando a conclusão para fevereiro do próximo ano.

O ministro é o principal alvo do relatório da Polícia Federal. Segundo os documentos citados no processo, Moraes recebeu diversas mensagens de Daniel Vorcaro antes da prisão do ex-banqueiro.
As conversas tratariam de possíveis ações e operações policiais contra o Banco Master. A PF também identificou metadados que apontam supostas edições feitas por Moraes em um contrato de prestação de serviços advocatícios de R$ 130 milhões envolvendo empresas de Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Moraes acusa André Mendonça de agir de forma seletiva e de direcionar a divulgação das informações.

Ex-banqueiro e dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um voo particular para o exterior.
Ele é apontado como articulador de um suposto esquema de emissão e comercialização de carteiras e títulos de crédito fraudulentos vendidos a entidades públicas, incluindo o Banco de Brasília (BRB).
A apreensão e a extração dos dados do celular de Vorcaro alimentaram as investigações da Operação Compliance Zero.

André Mendonça é o relator do inquérito envolvendo o Banco Master no STF. Ele determinou a produção e retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal que apontou a proximidade entre Vorcaro e Moraes.
O ministro afirma que agiu dentro de suas atribuições legais. Durante o caso, também acusou a Polícia Federal de monitorar integrantes da Corte e chegou a determinar o afastamento do diretor-geral da corporação, decisão posteriormente revertida.

Presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin convocou a sessão extraordinária para que o plenário decida coletivamente os rumos do caso.
Ele também negou o pedido de julgamento conjunto de procedimentos relacionados ao episódio e marcou para o fim de setembro a análise de questionamentos apresentados por Moraes contra a conduta de Mendonça.

O procurador-geral da República defende a anulação e o arquivamento do relatório policial. Segundo Gonet, a apuração teria sido instaurada com falhas formais, por determinação direta do relator e sem provocação do Ministério Público Federal.
O nome de Gonet também aparece em mensagens do material apreendido, o que levou delegados e partidos de oposição a questionarem sua atuação no caso.
A segurança no Supremo Tribunal Federal será reforçada durante a sessão. O acesso ao prédio contará com detectores de metal e equipamentos de raio X.
Além disso, pessoas não autorizadas não poderão entrar no plenário e o uso de celulares será proibido durante o julgamento.
A Praça dos Três Poderes, onde fica o STF, será fechada ao público. O policiamento também será ampliado no perímetro da praça e no Anexo do tribunal.
O governo ainda utilizará drones da Polícia Militar, câmeras e uma célula de inteligência formada por 22 órgãos de segurança distritais e federais.