sexta-feira, 11 de setembro de 2026
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Crise no STF: veja a linha do tempo do conflito entre ministros
Decisões sobre a Polícia Federal e investigações envolvendo o Banco Master ampliam o embate dentro da Corte
10 de setembro de 2026 06:51
Thyago Lúcio - Portal Arapuan Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
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Ministros adotam decisões sucessivas em meio ao agravamento do impasse institucional. Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma das maiores crises institucionais de sua história, após os desdobramentos das operações Compliance Zero e Sem Desconto, da Polícia Federal (PF). As investigações apuram um esquema de fraudes financeiras e crimes contra aposentados do INSS envolvendo o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro.

O conflito entre ministros ganhou força após a divulgação de mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes em novembro de 2025. O conteúdo foi tornado público no dia 1º de setembro de 2026, por decisão do ministro André Mendonça.

A divulgação desencadeou uma sequência de decisões e pedidos de investigação entre integrantes da Corte, incluindo solicitações de investigação criminal e afastamento de funções judiciais.

Com o agravamento do impasse e a sobreposição de decisões monocráticas, o presidente do STF, Edson Fachin, adotou medidas nesta quarta-feira (9) para tentar conter a crise.

Fachin suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino relacionadas à cúpula da PF, deu prazo de 48 horas para o diretor-geral da corporação prestar esclarecimentos, retirou Moraes da condução da fase preliminar do inquérito das fake news e convocou uma sessão extraordinária do plenário.

Confira os principais acontecimentos:

15 de novembro de 2025: Dois dias antes de ser alvo de um mandado de prisão, Daniel Vorcaro troca mensagens com Alexandre de Moraes. O empresário questiona se uma operação policial seria iminente e pergunta: “Acha que 2ª tenho que estar fora?”.

Nas conversas, Vorcaro também cita o presidente indicado do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o “juiz Ricardo”.

16 de novembro de 2025: Vorcaro insiste em marcar um encontro presencial na residência de um deles. O empresário afirma estar perplexo e diz que as ações poderiam destruir seus negócios.

• 17 de novembro de 2025: A Polícia Federal prende Daniel Vorcaro em flagrante no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo a investigação, o empresário tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular sob suspeita de tentativa de fuga.

A rede de monitoramento

A perícia realizada no celular de Vorcaro aponta que o banqueiro mantinha acesso, em tempo real, a informações sigilosas sobre investigações na 10ª Vara Federal do Distrito Federal e no Banco Central.

Em conversas, Vorcaro menciona a necessidade de obter “proteção de Andrei e Paulo”, identificados por delegados como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

1º e 2 de setembro de 2026: queda do sigilo

1º de setembro de 2026: O ministro relator André Mendonça derruba o sigilo da Petição 16.662 e torna públicos os relatórios da PF que contêm as conversas entre Moraes e Vorcaro.

Mendonça também remete os autos para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro afirma que a transparência é a regra constitucional e aponta o plenário do STF como foro adequado para a análise técnica do processo.

2 de setembro de 2026: O Partido Novo protocola representação pedindo providências contra o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A legenda o acusa de integrar a rede de influência de Vorcaro.

No mesmo período, vem a público que André Mendonça havia se reunido com Vorcaro em março de 2025, em uma empresa privada em São Paulo.

A assessoria do ministro confirma o encontro, realizado antes de Mendonça assumir a relatoria do caso, e afirma que a reunião foi estritamente institucional, para tratar de pleitos relacionados a precatórios.

Segundo a assessoria, todas as decisões posteriores de Mendonça foram contrárias ao banqueiro.

3 de setembro: confronto entre Moraes e Mendonça

Moraes pede investigação contra Mendonça

Alexandre de Moraes junta relatórios de inteligência ao Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news, e pede ao presidente do STF a abertura de investigação criminal contra André Mendonça.

Moraes atribui a Mendonça supostos crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade.

Entre as acusações estão a suposta usurpação de funções da PF, falhas na custódia de mídias sensíveis que vazaram dados de senadores e perseguição a alvos políticos, como o senador Davi Alcolumbre e o próprio Moraes.

Mendonça pede afastamento de Moraes

Na mesma noite, André Mendonça vai ao gabinete de Edson Fachin e solicita formalmente o afastamento de Alexandre de Moraes de suas funções de ministro.

Fachin estabelece prazo

O presidente do STF instaura um procedimento oficial e concede cinco dias úteis para que autoridades do Supremo, da PGR e da PF apresentem informações por escrito sobre as representações.

6 a 8 de setembro: envio ao plenário e afastamento da cúpula da PF

6 de setembro de 2026: André Mendonça encaminha os autos da Petição 16.662 ao plenário do STF para que o colegiado analise os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master.

• 8 de setembro de 2026: Atendendo a pedido do Partido Novo e com base em relatórios da PF anexados por Moraes, Mendonça determina o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa.

Mendonça afirma que a diretoria de inteligência teria realizado “monitoramento sistemático e ilícito” contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.

O ministro também aponta a elaboração de juízo correcional considerado indevido sobre decisões judiciais e o vazamento de informações de investigações.

Mendonça solicita ainda a convocação de sessão virtual da Segunda Turma para referendar a liminar.

9 de setembro: guerra monocrática e intervenção de Fachin

Dino revoga afastamento

Após recurso apresentado por Andrei Rodrigues, o ministro Flávio Dino suspende a decisão de Mendonça e reconduz a cúpula da PF aos cargos.

Dino argumenta que a paralisação do comando da Polícia Federal interessa aos investigados e viola o devido processo legal.

No despacho, o ministro volta a mencionar a reunião realizada entre Mendonça e Vorcaro.

Fachin intervém e suspende decisões conflitantes

Diante da sobreposição de decisões individuais, que classificou como um “inconciliável conflito de posições judiciais”, Edson Fachin adota uma série de medidas.

O presidente do STF acolhe pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) na Suspensão de Liminar 1.946 e suspende tanto o afastamento determinado por Mendonça quanto a reintegração ordenada por Dino.

Com isso, Fachin mantém cautelarmente Andrei Rodrigues e Leandro Almada no comando da PF.

Diretor-geral da PF terá 48 horas para explicar relatórios

Fachin determina que Andrei Rodrigues apresente, em 48 horas, esclarecimentos detalhados sobre a elaboração dos relatórios de inteligência que avaliaram atos do Judiciário.

As informações serão utilizadas para subsidiar a decisão da Presidência do STF sobre a permanência do diretor-geral no cargo, com base na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

Moraes deixa condução preliminar do inquérito das fake news

Por meio da Portaria 189/2026, Fachin revoga a delegação concedida a Alexandre de Moraes para conduzir a fase de investigação preliminar do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news.

Com a medida, Fachin reassume a relatoria desses procedimentos preliminares na Presidência do STF.

10 de setembro: Retirada do sigilo do Banco Master

Fachin pede retirada do sigilo do Banco Master

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ministro André Mendonça retire o sigilo das investigações do Caso Master, que tramitam na Corte. Segundo Fachin, o sigilo deve ser mantido apenas para os trechos que possam comprometer investigações futuras.

Mendonça acata pedido

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da investigação sobre o caso do Banco Master após atender a uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.

Mendonça é o relator do caso e, por isso, tem competência para determinar a retirada do sigilo do processo.

Além da PET nº 15.556, Mendonça determinou o levantamento do sigilo dos inquéritos nº 5.026 e nº 5.035, da Reclamação nº 88.121 e de outras petições relacionadas ao caso.

Entre os processos estão as petições nº 15.198, nº 15.478, nº 15.504, nº 15.562, nº 15.563, nº 15.693, nº 15.976, nº 15.977, nº 15.978, nº 16.019 e nº 16.662.

No despacho, o ministro afirmou que a decisão atende à solicitação feita por Fachin e determinou as providências necessárias para enviar cópias integrais dos autos à presidência do STF e aos demais gabinetes da Corte.

Plenário extraordinário é convocado

Fachin convoca uma sessão extraordinária presencial do plenário do STF para 15 de setembro de 2026, às 10h.

Na ocasião, todos os ministros deverão analisar colegiadamente os relatórios relacionados a Vorcaro e definir os rumos da Petição 16.662 e do comando da Polícia Federal.

As denúncias apresentadas contra André Mendonça seguirão em procedimento administrativo próprio.

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