sexta-feira, 23 de outubro de 2026
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Crise no STF: veja a linha do tempo do conflito entre ministros
Decisões sobre a Polícia Federal e investigações envolvendo o Banco Master ampliam o embate dentro da Corte.
10 de setembro de 2026 06:51
Thyago Lúcio - Portal Arapuan Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
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Ministros adotam decisões sucessivas em meio ao agravamento do impasse institucional. Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma das maiores crises institucionais de sua história, após os desdobramentos das operações Compliance Zero e Sem Desconto, da Polícia Federal (PF). As investigações apuram um esquema de fraudes financeiras e crimes contra aposentados do INSS envolvendo o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro.

O conflito entre ministros ganhou força após a divulgação de mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes em novembro de 2025. O conteúdo foi tornado público no dia 1º de setembro de 2026, por decisão do ministro André Mendonça.

A divulgação desencadeou uma sequência de decisões e pedidos de investigação entre integrantes da Corte, incluindo solicitações de investigação criminal e afastamento de funções judiciais.

Com o agravamento do impasse e a sobreposição de decisões monocráticas, o presidente do STF, Edson Fachin, adotou medidas nesta quarta-feira (9) para tentar conter a crise.

Fachin suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino relacionadas à cúpula da PF, deu prazo de 48 horas para o diretor-geral da corporação prestar esclarecimentos, retirou Moraes da condução da fase preliminar do inquérito das fake news e convocou uma sessão extraordinária do plenário.

Confira os principais acontecimentos:

15 de novembro de 2025: mensagens entre Vorcaro e Moraes

Dois dias antes de ser alvo de um mandado de prisão, Daniel Vorcaro trocou mensagens com Alexandre de Moraes.

O empresário questionou se uma operação policial seria iminente e perguntou:

“Acha que 2ª tenho que estar fora?”

Nas conversas, Vorcaro também citou o presidente indicado do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o “juiz Ricardo”.

16 de novembro de 2025: empresário insiste em encontro

No dia seguinte, Vorcaro insistiu em marcar um encontro presencial na residência de um deles.

O empresário afirmou estar perplexo e disse que as ações poderiam destruir seus negócios.

17 de novembro de 2025: Vorcaro é preso pela PF

A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro em flagrante no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Segundo a investigação, o empresário tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular, sob suspeita de tentativa de fuga.

Novembro de 2025: PF identifica acesso a informações sigilosas

A perícia realizada no celular de Vorcaro apontou que o empresário mantinha acesso, em tempo real, a informações sigilosas sobre investigações na 10ª Vara Federal do Distrito Federal e no Banco Central.

Em conversas, Vorcaro mencionou a necessidade de obter “proteção de Andrei e Paulo”.

Os nomes foram identificados por delegados como referências ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.


Setembro de 2026: crise se intensifica no STF

1º de setembro de 2026: Mendonça retira sigilo da Petição 16.662

O ministro André Mendonça derrubou o sigilo da Petição 16.662 e tornou públicos relatórios da Polícia Federal que continham conversas entre Moraes e Vorcaro.

Mendonça também encaminhou os autos para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na decisão, o ministro afirmou que a transparência é a regra constitucional e apontou o plenário do STF como foro adequado para a análise técnica do processo.

2 de setembro de 2026: Partido Novo pede providências contra Andrei Rodrigues

O Partido Novo protocolou uma representação pedindo providências contra o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A legenda acusou o policial de integrar a rede de influência de Vorcaro.

No mesmo período, veio a público que André Mendonça havia se reunido com Daniel Vorcaro em março de 2025, em uma empresa privada em São Paulo.

A assessoria do ministro confirmou o encontro e afirmou que a reunião foi estritamente institucional, para tratar de assuntos relacionados a precatórios.

Segundo a assessoria, o encontro ocorreu antes de Mendonça assumir a relatoria do caso e todas as decisões posteriores do ministro foram contrárias ao banqueiro.

3 de setembro de 2026: Moraes e Mendonça trocam ofícios

Moraes pede investigação contra Mendonça

Alexandre de Moraes juntou relatórios de inteligência ao Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news, e pediu ao presidente do STF a abertura de investigação criminal contra André Mendonça.

Moraes atribuiu ao colega supostos crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade.

Entre as acusações estavam:

  • Suposta usurpação de funções da Polícia Federal;
  • Falhas na custódia de mídias sensíveis;
  • Vazamento de dados de senadores;
  • Perseguição a alvos políticos, como Davi Alcolumbre e o próprio Moraes.

Mendonça pede afastamento de Moraes

Na mesma noite, André Mendonça foi ao gabinete de Edson Fachin e solicitou formalmente o afastamento de Alexandre de Moraes de suas funções de ministro.

Fachin estabelece prazo para manifestações

Edson Fachin instaurou um procedimento oficial e concedeu cinco dias úteis para que autoridades do STF, da PGR e da PF apresentassem informações por escrito sobre as representações.

6 de setembro de 2026: Mendonça envia caso ao plenário

André Mendonça encaminhou os autos da Petição 16.662 ao plenário do STF.

O objetivo era permitir que o colegiado analisasse os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master.

8 de setembro de 2026: Mendonça afasta cúpula da PF

Atendendo a um pedido do Partido Novo e com base em relatórios da PF anexados por Moraes, Mendonça determinou o afastamento preventivo de:

  • Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal;
  • Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência da PF.

Mendonça afirmou que a diretoria de inteligência teria realizado “monitoramento sistemático e ilícito” contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.

O ministro também apontou a elaboração de juízos considerados indevidos sobre decisões judiciais e o vazamento de informações de investigações.

9 de setembro de 2026: Fachin intervém na disputa

Dino suspende afastamento da cúpula da PF

Após recurso apresentado por Andrei Rodrigues, o ministro Flávio Dino suspendeu a decisão de Mendonça e reconduziu a cúpula da PF aos cargos.

Dino argumentou que a paralisação do comando da Polícia Federal interessaria aos investigados e violaria o devido processo legal.

No despacho, o ministro também voltou a mencionar a reunião entre Mendonça e Vorcaro.

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino

Diante da sobreposição de decisões individuais, Fachin classificou o cenário como um “inconciliável conflito de posições judiciais”.

O presidente do STF suspendeu tanto o afastamento determinado por Mendonça quanto a reintegração ordenada por Dino.

Com isso, manteve cautelarmente Andrei Rodrigues e Leandro Almada no comando da Polícia Federal.

Fachin cobra explicações de Andrei Rodrigues

Fachin determinou que Andrei Rodrigues apresentasse, em 48 horas, esclarecimentos sobre a elaboração de relatórios de inteligência que avaliaram atos do Judiciário.

As informações seriam utilizadas para subsidiar a decisão da Presidência do STF sobre a permanência do diretor-geral no cargo.

Moraes deixa condução preliminar do inquérito das fake news

Por meio da Portaria 189/2026, Fachin revogou a delegação concedida a Alexandre de Moraes para conduzir a fase preliminar do Inquérito 4.781.

Com a medida, Fachin reassumiu a relatoria dos procedimentos preliminares na Presidência do STF.

10 de setembro de 2026: sigilo do Caso Master é retirado

Fachin pede retirada do sigilo

Edson Fachin determinou que André Mendonça retirasse o sigilo das investigações do Caso Master que tramitavam no STF.

Segundo Fachin, o sigilo deveria ser mantido apenas em trechos cuja divulgação pudesse comprometer investigações futuras.

Mendonça levanta sigilo de processos

André Mendonça atendeu ao pedido de Fachin e retirou o sigilo da investigação sobre o Banco Master.

Além da Petição 15.556, foram incluídos:

  • Inquérito 5.026;
  • Inquérito 5.035;
  • Reclamação 88.121;
  • Petições 15.198, 15.478, 15.504, 15.562, 15.563;
  • Petições 15.693, 15.976, 15.977, 15.978;
  • Petições 16.019 e 16.662.

Mendonça também determinou o envio de cópias integrais dos autos à Presidência do STF e aos demais gabinetes da Corte.

Sessão extraordinária é marcada

Fachin convocou uma sessão extraordinária presencial do plenário do STF para 15 de setembro de 2026, às 10h.

Os ministros deverão analisar os relatórios relacionados a Daniel Vorcaro, os rumos da Petição 16.662 e a situação do comando da Polícia Federal.

As denúncias contra André Mendonça seguirão em procedimento administrativo próprio.

11 de setembro de 2026: ministros pedem acesso aos dados do celular

Documentos revelam novos detalhes do Caso Master

Após o levantamento do sigilo, foram divulgadas informações sobre:

  • Gastos relacionados ao filme Dark Horse;
  • Conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro;
  • Viagens pagas pelo ex-banqueiro ao senador Ciro Nogueira;
  • Voos do senador Jaques Wagner que teriam sido designados por Vorcaro.

Após a divulgação das petições e o pedido de Cristiano Zanin para acessar os dados do celular de Vorcaro, Mendonça afirmou que a medida poderia comprometer o inquérito.

Gilmar Mendes pede cópia do celular

O ministro Gilmar Mendes pediu acesso à cópia dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.

O pedido foi reforçado posteriormente, diante da necessidade de verificar a íntegra do material e o contexto das mensagens.

12 de setembro de 2026: Fachin anuncia julgamento contra Mendonça

Julgamento é marcado para 23 de setembro

Na manhã de sábado (12), Edson Fachin anunciou que o julgamento do pedido de investigação contra André Mendonça ocorrerá em 23 de setembro.

Fachin justificou que a análise em sessões separadas permitiria um melhor direcionamento dos trabalhos.

O ministro afirmou ainda que o pedido contra Mendonça permanecia em fase de instrução.

PGR pede compartilhamento de dados

Horas depois, a Procuradoria-Geral da República voltou a solicitar a Fachin o compartilhamento dos dados necessários ao julgamento de questões relacionadas ao Caso Master.

O pedido foi direcionado a todos os ministros do Supremo.

Fachin cobra informações da PF

No fim da tarde, Fachin determinou que a Polícia Federal informasse, em até 24 horas, onde estavam os dados extraídos do celular de Vorcaro.

A corporação também deveria explicar em quais condições o material estava armazenado.

A decisão ocorreu após pedidos de acesso feitos por Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

Mendonça diz que cópia era apenas backup

Em esclarecimentos citados por Fachin, André Mendonça afirmou que a cópia existente em seu gabinete era apenas um backup de segurança dos dados extraídos do celular.

Segundo o ministro, o material estava lacrado e nunca havia sido manuseado por ele.

A cópia seria utilizada somente em caso de perda ou extravio do conteúdo original.

Fachin assume investigação contra Moraes

Após os pedidos de acesso, Fachin assinou novo ofício para assumir a relatoria da investigação contra Alexandre de Moraes.

Ele também determinou que os materiais dos casos Banco Master e INSS fossem remetidos ao próprio gabinete.

Com a remessa, ficaram paralisados os atos decisórios monocráticos relacionados ao caso.

Fachin, porém, manteve a possibilidade de determinar medidas de reserva judicial, como buscas e quebras de sigilo.

13 de setembro de 2026: novos documentos são liberados

Dino retira sigilo do caso Dark Horse

Na manhã de domingo (13), Flávio Dino determinou o levantamento do sigilo da investigação sobre o caso Dark Horse.

A apuração envolve suspeitas de direcionamento de emendas parlamentares para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão alcançou materiais produzidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora Go Up, responsável pelo filme.

Entre as suspeitas divulgadas estão:

  • Possível uso indireto de recursos públicos do programa WiFi Livre SP;
  • Suposto autofaturamento de R$ 1,4 milhão em notas fiscais emitidas pelo Instituto Conhecer Brasil;
  • Pagamento de R$ 3 milhões por uma ONG a uma empresa ligada a um possível integrante do PCC.

PF informa que pode entregar dados aos ministros

Ainda no domingo, a Polícia Federal informou a Fachin que poderia fornecer imediatamente a Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular de Vorcaro.

A PF afirmou que o compartilhamento poderia ocorrer com preservação da cadeia de custódia, individualização dos lacres e certificação da integridade do material.

A entrega dependeria de autorização de Fachin.

Mendonça critica retirada de sigilo

André Mendonça se manifestou contra a retirada do sigilo dos dados do celular de Vorcaro.

O ministro afirmou que a divulgação poderia “tumultuar o julgamento”.

Ele também pediu que Fachin determinasse que quatro delegados prestassem informações sobre possíveis constrangimentos sofridos durante as investigações.

Zanin determina entrega de cópia

No fim da tarde, Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal entregasse ao gabinete dele, até as 23h, uma cópia dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.

Zanin afirmou que não existe hierarquia entre os ministros do STF.

Segundo ele, os elementos de prova pertencem ao plenário e aos integrantes da Corte, e não a apenas um ministro.

O ministro disse que precisava acessar o material antes da sessão de terça-feira (15), que analisará o procedimento sobre as mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Moraes pede abertura de processo

Quase uma hora depois da decisão de Zanin, Alexandre de Moraes pediu a Fachin o levantamento do sigilo da Petição 15.645.

Moraes afirmou que o processo reunia elementos necessários para a sessão de terça-feira.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a petição reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

Moraes pediu que o processo fosse disponibilizado a todos os ministros antes do julgamento.

Após o pedido, Fachin determinou que a PGR se manifestasse com brevidade sobre a retirada do sigilo.

Gilmar reforça pedido de acesso

Às 20h30 de domingo, Gilmar Mendes reforçou o pedido para acessar a cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro.

O ministro afirmou que, sem verificar a mídia mantida no gabinete de André Mendonça, não seria possível identificar possíveis omissões, contradições ou obscuridades no relatório.

Gilmar também disse que o acesso seria necessário para avaliar a integralidade do material, o contexto das mensagens e a representatividade dos trechos selecionados.

15 de setembro de 2026: plenário do STF deve analisar o caso

A sessão extraordinária presencial do plenário do STF está marcada para terça-feira (15), às 10h.

Os ministros deverão analisar:

  • As mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes;
  • Os relatórios da Polícia Federal;
  • A Petição 16.662;
  • Os pedidos de acesso aos dados do celular do empresário;
  • Os desdobramentos relacionados ao comando da Polícia Federal;
  • A possibilidade de novas medidas dentro das investigações.

O julgamento ocorre em meio à disputa entre ministros e à divulgação de documentos que ampliaram as suspeitas sobre as relações de Vorcaro com agentes públicos, operadores financeiros e integrantes de diferentes instituições.

Matéria atualizada ás 6h42 de 14 de setembro de 2026, para mais informações.

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