terça-feira, 15 de setembro de 2026
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Moraes acusa Mendonça de “estar a serviço de grupo que quis dar golpe”
Ministros travaram uma discussão acalorada na sessão realizada nesta terça-feira (15) no STF
15 de setembro de 2026 14:01
Redação - Band.com
Ministro do STF, Alexandre de Moraes – (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça travaram uma discussão acalorada na sessão realizada nesta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF), durante o julgamento sobre a abertura de investigação envolvendo mensagens entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Sessão sobre possível investigação

No início da análise, o plenário discutiu se havia conexão entre os processos relacionados às mensagens atribuídas a Moraes e outros inquéritos em curso. Em meio ao voto, os ministros elevaram o tom e passaram a trocar acusações públicas.

Segundo relato da própria sessão, Mendonça afirmou que existe “uma PF paralela” e repetiu a expressão ao dizer que haveria “monitoramento de ministros” dentro da Polícia Federal. Em tom de alerta, ele declarou: “Não pense que você está salvo não, ministro”.

As críticas ao trabalho da PF foram um dos pontos que motivaram a reação de Moraes, que passou a dirigir sua fala diretamente ao colega.

Moraes reage e cita “investigação fraudulenta”

Ao pedir que os processos fossem julgados em conjunto, Moraes argumentou que, nas palavras de Mendonça, havia “relação de conexão e continência” entre os casos e risco de “decisões contraditórias e de tumulto processual”. Ele lembrou que os artigos 79 e 82 do Código de Processo Penal tratam justamente de evitar esse cenário.

“Não há como julgar hoje sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal? Presidente, quem tem medo da Polícia Federal?”, afirmou Moraes. Mendonça rebateu: “Não, não é questão de medo, não”. “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”, disse Moraes. “Não, mas eu estou lhe respondendo”, disse Mendonça.

Na sequência, Moraes questionou: “Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada?”. Mendonça reagiu: “É mentira!”. Moraes, então, disse ter testemunhas para provar a acusação: “Vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse. Então vamos chamar a testemunha. Vamos chamar? Vamos chamar?”, declarou, em referência direta a Mendonça.

Acusações de motivação política e resposta de Mendonça

Em seguida, Moraes disse que Mendonça tem motivação eleitoral ao tentar incluí-lo nas investigações do caso Master: “Está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país. Não tem nenhum documento apócrifo, todos sabem o que é o relatório de inteligência, os relatórios de inteligência estavam registrados, é só pegar o registro, quem fez e vamos chamar aqui nesse Supremo Tribunal Federal. Além de advogados que já se colocaram à disposição. Então, eu repito, presidente, tudo o que foi feito, essa investigação fraudulenta contra mim, já começou lá atrás. Não dá para julgar uma coisa sem outra”.

Enquanto Moraes fazia as acusações, Mendonça interveio repetidas vezes dizendo “é mentira”. O ministro chegou a afirmar que, mesmo diante de eventuais testemunhas, “pode chamar quem quiser, vão mentir”, em resposta direta às afirmações do colega.

Abertura da sessão no Plenário e declaração de impedimento

Na abertura da sessão, o ministro Edson Fachin, afirmou que “não é um dia comum” e que “o Brasil olha esta Corte”, fazendo um apelo aos colegas por sensatez, decoro e serenidade. Fachin destacou que a divergência faz parte da jurisdição constitucional, mas ressaltou a responsabilidade de preservar a autoridade e a independência do tribunal perante a história e as futuras gerações. Durante a sessão, o ministro Nunes Marques se declarou impedido de votar sobre a investigação a Moraes. Dias Toffoli também declarou não irá votar na sessão.

Além disso, Flávio Dino e Fachin discutiram pelo uso da palavra após uma intervenção de Dino durante a fala do ministro Dias Toffoli, gerando divergência sobre as normas regimentais de concessão de aparte pela Presidência da mesa.

A reação dos ministros na véspera e no dia do julgamento

Antes da sessão, o ministro Alexandre de Moraes quebrou o silêncio e negou conversas com Vorcaro, classificando as acusações como “diálogos fantasiosos” e apontando que 90,4% das anotações do bloco de notas do banqueiro sequer constavam em chats reais do WhatsApp.

Em petição encaminhada à Presidência do STF, Moraes acusou Mendonça de agir com fins eleitorais e sustentou que o julgamento representa uma tentativa de “vingança” por parte de aliados dos condenados pelo 8 de janeiro. Por sua vez, o ministro André Mendonça prestou esclarecimentos a Fachin sobre a Operação Compliance Zero, afirmando ter ouvido delegados em seu gabinete por cautela após relatórios citarem os nomes do diretor-geral da PF e do PGR em anotações do empresário.

Determinação de Fachin e abertura do sigilo do Caso Master

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos desdobramentos na quinta-feira (10), quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o relator do Caso Master, ministro André Mendonça, retirasse o sigilo das investigações. Mendonça cumpriu a ordem na mesma noite, liberando o acesso público aos autos do processo.

A abertura das peças trouxe relatórios da Polícia Federal que detalham a frequência de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de revelar o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.

Confronto entre ministros e a disputa pela transparência integral

Na sexta-feira (11), a tensão interna escalou quando o ministro Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram o levantamento total de todos os procedimentos e documentos relacionados ao caso.

Moraes acusou Mendonça de realizar uma “escolha seletiva” na divulgação de inquéritos e de omitir 180 documentos. Em resposta, Fachin deu 24 horas para que Mendonça retirasse todo o sigilo do caso.

Por sua vez, Mendonça rebateu as acusações de Moraes e negou ter ocultado documentos, classificando a tabela apresentada como “imprestável” e esclarecendo que as divergências decorriam do funcionamento do sistema eletrônico.

Manutenção do julgamento e decisões de Fachin

Embora o ministro Gilmar Mendes tenha sugerido adiar a sessão sobre a conduta de Moraes, o presidente Edson Fachin decidiu, no sábado (12), manter o julgamento extraordinário.

Fachin negou o pedido para julgar Mendonça junto de Moraes na próxima semana, pautando o processo contra Mendonça para 23 de setembro. Além disso, Fachin assumiu a relatoria de procedimento que envolve Moraes no caso Master e confirmou que a sessão sobre a conduta de Moraes terá transmissão ao vivo.

Na segunda (14), o STF definiu o rito da sessão sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes, estabelecendo o passo a passo regimental da deliberação plenária, que incluirá a leitura do relatório por André Mendonça, manifestações da PGR, sustentações orais, votação individual dos ministros e a proclamação do resultado por Fachin.

Para conter o clima de tensão no Plenário, Fachin avaliou separar fisicamente Mendonça e Moraes na bancada dos ministros, enquanto o esquema de segurança da Praça dos Três Poderes foi reforçado com fechamento de vias e monitoramento por drones.

Força-tarefa nos gabinetes e análise do celular de Vorcaro

Entre domingo (13) e segunda-feira (14), a PF enviou os dados do celular de Vorcaro a Zanin, Gilmar e Moraes. As equipes dos três gabinetes organizaram uma força-tarefa no celular de Vorcaro para confrontar Mendonça. O objetivo da varredura foi mapear interações e verificar se haviam ocorrido omissões no relatório inicial apresentado ao plenário.

Novas frentes de investigação e relatórios de inteligência financeira

Na segunda (14), Mendonça atendeu a Fachin e derrubou o sigilo da rede de pagamentos de Vorcaro, após a PGR apoiar o novo pedido de abertura de sigilo. Na mesma data, o Coaf apontou transações do Caso Master com autoridades com foro privilegiado, registrando ter segregado dados de autoridades do STJ e do STF por restrições legais.

Ramificações políticas e reações oficiais

O acervo revelou que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli, que um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro. Além disso, relatórios da Polícia Federal indicaram que aliados de Vorcaro acionaram o PCC para protegê-lo na prisão após sua detenção em novembro de 2025.

No campo político, Flávio Bolsonaro passou a ser investigado no inquérito Dark Horse, após a PF apontar que Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes de áudio.

Em reação às revelações, o senador classificou como “mais do mesmo” as apurações da PF sobre o encontro com Vorcaro, sustentando que se trata de busca por patrocínio privado para um longa-metragem e acusando a investigação de criar uma “cortina de fumaça” com viés eleitoral.

Por sua vez, a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas de R$ 134 milhões a um fundo nos EUA. O presidente Lula, logo após a determinação da queda do sigilo do Caso Master na quinta (10), declarou que se Moraes e Mendonça forem culpados, eles têm de pagar.

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