
Uma pesquisa presencial do instituto Datafolha, realizada nos dias 17 e 18 de junho, mostra que 50% dos brasileiros preferem pagar menos impostos a receber como contrapartida serviços públicos gratuitos, como saúde e educação. Outros 44% afirmam optar por pagar mais tributos para garantir acesso gratuito a essas áreas.
Em levantamento semelhante feito em 2022, o cenário era o oposto: 46% diziam preferir pagar menos impostos, enquanto 48% defendiam a manutenção ou aumento da carga tributária com oferta de serviços públicos gratuitos.
Os novos números indicam que, em quatro anos, houve uma mudança no equilíbrio da opinião pública sobre o modelo de financiamento do Estado. A faixa da população que prioriza a redução da carga tributária passou de minoria para metade da amostra pesquisada.
Já o grupo que valoriza a gratuidade de serviços como saúde e educação, mesmo com impostos mais altos, recuou quatro pontos percentuais no período, ficando abaixo do bloco que privilegia pagar menos tributos.Diferenças por gênero
Quando o Datafolha analisa os resultados por gênero, os homens aparecem mais inclinados a pagar menos impostos: 56% deles declaram essa preferência. Entre as mulheres, 44% dizem preferir menos tributos, enquanto 50% optam por pagar mais impostos em troca de serviços públicos gratuitos.
Os dados mostram, assim, uma divisão mais equilibrada entre as mulheres, com leve vantagem para a opção que privilegia a gratuidade de serviços essenciais financiados pelo Estado.
A pesquisa também fez um recorte por preferência eleitoral. Entre os eleitores que declaram voto em Luiz Inácio Lula da Silva, 35% afirmam preferir pagar menos impostos. Já 59% desse grupo defendem pagar mais tributos para garantir serviços públicos gratuitos.Entre os simpatizantes de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, 65% preferem pagar menos impostos, enquanto 29% optam por pagar mais tributos com oferta gratuita de serviços públicos. Os números evidenciam posições distintas entre os dois eleitorados em relação ao papel do Estado na provisão de serviços.
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios do país. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
As margens de erro são maiores nos recortes por segmentos da população, como gênero e intenção de voto. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.