
Os Estados Unidos aumentam a pressão contra Cuba. Washington indiciou Raúl Castro, irmão do ditador cubano Fidel Castro, que também comandou a ilha até sua aposentadoria.
O governo americano acusou criminalmente Raúl Castro pela derrubada de duas aeronaves que matou quatro ativistas da organização “Irmãos ao Resgate”. O fato ocorreu há 30 anos, durante o governo de Fidel, e desencadeou uma das maiores crises entre Cuba e Estados Unidos, com efeitos que duram até hoje.
Nos anos 90, após a queda da então União Soviética — que ajudava financeiramente o regime dos irmãos Castro —, a ilha entrou em uma profunda crise econômica. Ondas de refugiados tentavam chegar aos Estados Unidos pelo mar. Nesse contexto, surgiu a organização “Irmãos ao Resgate”, formada por cubanos exilados nos Estados Unidos, que ajudavam a resgatar imigrantes no Estreito da Flórida.
Com o tempo, esses pequenos aviões também passaram a jogar panfletos contra o regime sobre Cuba. O chefe das Forças Armadas cubanas era Raúl Castro. Segundo as investigações americanas, ele teria autorizado a derrubada dos aviões que, de acordo com o regime cubano, sobrevoavam o espaço aéreo da ilha. Já as autoridades americanas afirmam que as aeronaves estavam em águas internacionais.
O governo de Bill Clinton, na época, tentava aproximar os Estados Unidos de Cuba, mas mudou radicalmente de posição após a derrubada dos aviões. Foi aprovada no Congresso americano uma lei que endureceu ainda mais o embargo contra Cuba, cujas consequências econômicas Havana sente até hoje.
A situação atual de Cuba é dramática: a ilha sofre com apagões constantes, falta de medicamentos e até racionamento de comida.
O indiciamento de Raúl Castro foi apresentado em Miami, na Flórida, justamente onde está a maior comunidade cubana de exilados nos Estados Unidos. A data também foi simbólica: 20 de maio é o dia em que parte da comunidade cubana no exílio comemora a independência de Cuba.
O procurador-geral interino americano, Todd Blanche, afirmou que o ex-presidente cubano “irá se apresentar aos tribunais americanos por vontade própria ou por outro meio”. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, de origem cubana, publicou um vídeo em espanhol afirmando que o presidente Donald Trump quer uma nova relação entre Estados Unidos e Cuba, e que o povo cubano tem o direito de eleger seus governantes.
Recentemente, Trump afirmou que poderia assumir o controle da ilha “quase imediatamente”. Com isso, a Casa Branca elevou a pressão máxima contra Cuba.
Analistas veem a possibilidade de os Estados Unidos irem além e repetirem em Cuba uma estratégia semelhante à usada recentemente contra a Venezuela. Após Nicolás Maduro ser acusado de narcotráfico, uma operação militar americana levou o líder venezuelano para julgamento nos Estados Unidos.
Apesar de ser uma pequena ilha, Cuba exerceu, nas últimas décadas, enorme influência ideológica sobre a política latino-americana. Hoje, o regime autoritário enfrenta desgaste, crise econômica profunda e crescente isolamento internacional.