
O aumento da dívida pública será um dos maiores desafios para quem vencer a eleição presidencial, agravado pelas despesas criadas durante a corrida eleitoral. Com as contas públicas no vermelho, o país se equilibra em uma estrutura fiscal que corre o risco de desabar a qualquer momento.
Para 2027, o desafio bilionário aumenta na busca por pagar tantas despesas sem ultrapassar o limite total de gastos. O reajuste de 15% no Bolsa Família deve representar cerca de R$ 23 bilhões extras em despesas naquele ano. O programa Desenrola 3.0 adiciona mais R$ 6 bilhões, enquanto incentivos aos microempreendedores individuais, como o perdão de dívidas tributárias e o aumento do teto de faturamento, somam outros bilhões.
Em contraponto, iniciativas como o fim das apostas esportivas reduzem a arrecadação do governo em R$ 15 bilhões. Considerando os contratos já firmados, o custo total para o ano que vem deve chegar a cerca de R$ 37 bilhões. Apenas em 2026, ano eleitoral, o governo criou 51 novas medidas, elevando o valor total para mais de R$ 405 bilhões.
Segundo o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, o governo está pisando no acelerador fiscal, o que obriga a autoridade monetária a aplicar mais freios na economia. Para o economista, os juros mais altos decorrem, em parte, da falta de coordenação entre as políticas fiscal e monetária.
As promessas dos candidatos à reeleição, que ainda dependem de aprovação do Congresso, incluem a gratuidade do transporte público aos fins de semana, o Pé-de-Meia universitário e um Pix de R$ 5 mil para os microempreendedores individuais. O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, também defende mais gastos com a volta do Perse para o setor de eventos e a extensão do período em que beneficiários do Bolsa Família mantêm o auxílio mesmo com emprego e renda máxima permitida.
Para o economista Paulo Rabello de Castro, o orçamento não foi debatido com seriedade e a falta de contenção nas promessas de gastos ajuda a manter os juros elevados, encarecendo o crédito para famílias e empresas. Na visão do economista Roberto Giannetti, o equilíbrio fiscal é um benefício para a população, pois o Estado não pode gastar mais do que arrecada sem elevar a dívida.
O problema vai além do orçamento, com a dívida bruta do governo superando 80% do PIB. O aumento do risco fiscal pressiona as taxas de juros e dificulta o acesso ao crédito no país.