
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta semana, em Brasília, com a expectativa de promover um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo-a de 14,25% para 14% ao ano. A previsão é da colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa.
A jornalista destaca que a desaceleração recente da inflação abriu espaço para o recuo, embora haja muitos cenários que exijam cautela, tanto internamente, quanto externamente.
Antes do início do conflito no Oriente Médio, as projeções indicavam que a taxa básica de juros, a Selic, poderia encerrar o ano na casa dos 12%. No entanto, o prolongamento confronto e a consequente alta do petróleo forçaram uma trajetória de queda em “conta-gotas”, mantendo os juros em patamares elevados que impactam o consumo e a atividade econômica.
Juliana Rosa destaca que o Banco Central tenta esfriar a economia por meio da taxa de juros elevada. Contudo, o governo federal adota de forma paralela diversas medidas de estímulo ao crédito subsidiado, como incentivos para habitação própria e a subvenção para combustíveis. Segundo a jornalista, esse descompasso dificulta uma queda mais rápida da inflação.
A colunista relembra que a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, índice oficial da inflação no Brasil, para este ano chegou a registrar um ápice de 5,3%. Recentemente, esse dado recuou para a casa dos 5%.
Apesar da melhora, o índice atualizado no Boletim Focus, previsão que os bancos e economistas fazem sobre a economia do país, ainda permanece distante do cenário anterior ao conflito do Oriente Médio, na casa dos 5,03%. Antes da escalada do confronto, a estimativa de inflação estava abaixo de 4%.
De acordo com Juliana, o eventual corte de juros para 14% nesta semana pode marcar o último movimento de redução do ano. A aproximação do período de eleições tradicionalmente faz com que o Banco Central evite alterações bruscas nos juros, buscando mitigar a volatilidade nos mercados financeiros e garantir neutralidade política.
Além do cenário eleitoral, fatores externos e climáticos, como o fenômeno El Niño, devem ditar o ritmo da política monetária. A pressão sobre os preços dos combustíveis provocada pelas oscilações do petróleo no mercado internacional que ameaça encarecer alimentos e energia elétrica, devem manter a postura do Copom vigilante e conservadora nos próximos meses.