
Foi de Renato Russo a seguinte afirmação: “Digam o que disserem, o mal do Século é a solidão”. Referia-se o grande poeta ao Século XX, vivia ele à década de 1980 e naquela ocasião já sentia que o homem perdia sua queda de braço para a solidão.
Na sua visão “as baladas recheadas com garotas lindas, com roupas cada vez mais micro e transparentes, dança e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas”. E continua: “Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinho. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos personal dance, incrível. E não é só isso não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar para quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamo-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós”.
Todos esses fatos elencados por Renato Russo, sem dúvida, agravaram-se, pois hoje o homem encontra-se cada vez mais solitário, e, não me venham dizer que a internet desmente essa nossa visão. A internet com suas ferramentas, instragram, facebook etc, na verdade nos dar uma falsa sensação de comunicação, de interação, haja vista que realmente ao usarmos essas ferramentas estamos interagindo com inúmeras pessoas, acontece, porém, que num mundo virtual, onde cada um encontra-se sozinho recolhido num recanto qualquer de sua casa, de seu trabalho, numa praça, num shopping, numa mesa de bar, mas solitariamente vidrado na tela do iphone, galaxy, iped, notebook.
Esses fascinantes instrumentos de comunicação estão na verdade isolando os indivíduos, pois se prestarmos atenção, basta uma olhadela numa mesa de um restaurante para verificarmos que as pessoas em vez de estarem conversando, interagindo, na verdade, se não todas, mas uma grande parte está navegando na virtualidade, abstraída da cena real da vida, se entregando para um mundo não palpável, sem o calor das relações humanas que acontecem no olho a olho.
Não quero aqui afirmar que essas ferramentas não sejam importantes, mas é preciso equilíbrio no seu uso. Aliás, na vida tudo tem que ter a razão do equilíbrio.