segunda-feira, 14 de setembro de 2026
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Sim sinhô!
12 de setembro de 2026 09:20
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

O Lua ao falar sobre a música Paraíba, disse: “Essa música saiu como jingle político, no governo do Marechal Dutra. Naquele tempo o governo lançava candidatos. Tinha mais, digamos assim, democracia. O povo era quem escolhia o seu governo. Então o chefe da Casa Civil, Pereira Lira, muito elegante, simpático, sempre de cachimbo na boca, entrou em contato com o diretor da Rádio Nacional, na época José Caó. Aí o Caó pediu a mim e a Humberto Teixeira que fizéssemos um jingle. Então, nós fizemos essa música, invocando Zé Pereira, aquela coisa toda. Cantamos essa música pela primeira vez na praça central de Campina Grande, num comício. Ora, ganhar uma eleição contra José Américo era algo muito difícil, impossível. Aliás, até hoje o velho é imbatível. Os adversários aproveitaram para dizer que o baião era um achincalhamento à mulher paraibana. Que besteira. Essa música é uma homenagem à Paraíba. Nós queríamos homenagear a Paraíba que, apesar de pequena, foi valente em 1930. Eita Paraíba, muié macho sim sinhô. Quer dizer, sendo o Estado de nome feminino, então: muié macho sim sinhô. Paraíba pequenina, muié macho sim sinhô. Isso em relação à mulher que luta, que batalha…” (Vozes do Brasil – Martin Claret – Edição ilustrada).

Essa música jamais veio para menosprezar a Paraíba ou mesmo as suas mulheres. Pelo contrário. Luiz presta uma homenagem ao nosso torrão e eleva a mulher paraibana. Não pensem que só os homens desta terra têm demonstrado seus méritos e coragem no enfrentamento das mais torrentes intempéries, mas, acima de tudo, a nossa mulher tem provado, como a Paraíba (Estado), ela também tem sido brava e digna nas batalhas pelas conquistas de nossos direitos.

Luiz no final da música Paraíba expressa-se: “sai pra lá, peste!” Tal frase não está fora do contexto. Quis o poeta ali deixar uma mensagem, ou seja, a de afastar aqueles que por ventura viessem tentar molestar a imagem da Paraíba e assim, disse: “sai pra lá, peste!”.

O Lua, ainda, afirmara: “Eu nunca fui nem compositor, nem letrista. E sempre fui dependente de um bom poeta. Eu não gosto de fazer uma música do início ao fim, e as poucas que eu fiz não se deram muito bem. Eu faço o monstro e entrego ao poeta. Eu sempre fui bom sanfoneiro…. Eu sou mais um sanfonizador”. (Vida do Viajante: A Saga de Luiz Gonzaga – obra de Dominique Dreyfus).

Modéstia. Sim, pois a letra e a melodia poderiam sair das mãos do mais famoso poeta, mas, como bem afirma Dominique Dreyfus “… chegava nua, tímida, calada! Era Gonzaga, então quem iria vesti-la, enfeitá-la, dar-lhe brilho, sensualidade, personalidade. E, quando estava prontinha, ele então ficava namorando a música, brincando com a melodia, jogando com a letra, fazendo-a crescer, amadurecer….Gonzaga dava vida às músicas”.(Ibidem)

Pode-se dizer que Luiz nunca foi inculto, nem muito menos calado. Calá-lo era e é a mesma coisa que emudecer o canto dos pássaros: Sabiá, Assum Preto, Asa Branca, Tié, Carão, Acauã etc… Calá-lo era mesmo que amordaçar o improviso dos repentistas, retirar as cordas da viola, silenciar o som das águas escorrendo pelas biqueiras, anunciando inverno e fartura. Se alguém pretendia calá-lo, estaria calando o próprio Nordeste.Luiz, tu sempre serás eterno!

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