
O ex-prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo (MDB), se emocionou durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM 95,3, nesta quarta-feira (16). O político voltou a contestar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), que o declarou inelegível. Assista o vídeo ao final da matéria.
A decisão foi tomada na segunda-feira (14), após pedido do Ministério Público Eleitoral da Paraíba (MPE-PB). O órgão pediu a impugnação com base em uma suposta relação de Vitor Hugo com uma facção criminosa.
Durante a entrevista, Vitor Hugo atribuiu a origem das acusações a um vereador de Cabedelo que, segundo ele, é cunhado de um traficante. O ex-prefeito afirmou que o parlamentar teria feito um depoimento à polícia se apresentando como seu inimigo político.
“Eu fiquei inelegível e tudo começou por um vereador da cidade de Cabedelo, cunhado de um traficante — ele é casado com a irmã do traficante, Fatoca —, que faz um depoimento na polícia e, no depoimento, diz que é meu inimigo político.”
O ex-prefeito afirmou que vereadores da base do governo municipal tinham direito a indicar pessoas para cargos comissionados na Prefeitura de Cabedelo. Segundo ele, o vereador citado teria feito indicações e posteriormente substituído nomes de seu gabinete por pessoas que passaram a ocupar funções na administração municipal.
Vitor Hugo também afirmou que uma das pessoas mencionadas nas investigações era filha adotiva de um traficante e teria trabalhado como assessora do vereador, com salário de R$ 6 mil.
“Eu pergunto a vocês: por que é que esse vereador não responde criminalmente por ter colocado essas pessoas supostamente envolvidas ao tráfico no seu gabinete?”
Segundo o ex-prefeito, as nomeações feitas por vereadores não passavam diretamente por sua análise. Ele afirmou ainda que os ocupantes de cargos públicos precisavam apresentar a documentação exigida por lei, incluindo certidões criminais.
Questionado pelo entrevistador se essas certidões eram apresentadas, Vitor Hugo respondeu:
“Todas. Nenhuma dessas pessoas apontadas no relatório da Polícia Federal foram nomeadas na prefeitura com certidões positivas.”
Vitor Hugo também afirmou que rompeu politicamente com o vereador após informações sobre um suposto envolvimento dele com o crime organizado serem divulgadas pela imprensa.
Segundo o ex-prefeito, após o rompimento, ele determinou a exoneração das pessoas que posteriormente apareceram em relatório da Polícia Federal.
“Quem rompeu com o vereador fui eu. E aí eu, de imediato, exonerei as pessoas e saíram no relatório da Polícia Federal. E isso é usado contra mim hoje.”
Vitor Hugo argumentou que, caso não tivesse realizado as exonerações, poderia ser acusado de ser conivente com as irregularidades. Na avaliação apresentada por ele, a própria decisão de afastar os servidores acabou sendo utilizada contra ele.

Em outro momento da entrevista, Vitor Hugo se emocionou ao falar sobre a repercussão das acusações para sua família. O ex-prefeito afirmou que ele e a esposa adotaram recentemente duas crianças e que pretende deixar aos filhos um legado de respeito e honestidade.
“Porque um pai de família com os filhos que eu tenho, que eu e Daniela adotamos duas crianças recentemente, e a única coisa que eu quero deixar para os meus filhos é um legado de respeito, honestidade.”
O político afirmou ainda que os filhos estariam ouvindo comentários na escola sobre as acusações envolvendo o pai.
“E hoje meus filhos têm que aguentar escutar piadinha na escola porque estão querendo envolver o pai deles com o crime organizado, que eu não tenho nenhum envolvimento com relação a isso.”
Vitor Hugo também afirmou que sua imagem estaria sendo criminalizada e classificou o que considera uma perseguição contra ele como “lawfare”.
“O nome de lawfare é criminalização da minha imagem. Isso já vem sendo feito com a minha pessoa há mais de 4 anos.”

Ao final do relato, o ex-prefeito voltou a negar qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e criticou a decisão que resultou em sua inelegibilidade.
“E hoje eu estou sendo criminalizado como se eu fosse um traficante. O meu passaporte está retido em Recife como se eu fosse terrorista nos Estados Unidos.”
Vitor Hugo também afirmou que teve o direito de defesa prejudicado durante o processo.
“Estão acabando com a vida de um homem inocente, sem eu ter o direito de defender. Nunca tive. Porque meu direito de defesa foi cerceado na primeira instância.”