
O candidato à reeleição ao Senado pela Paraíba, Veneziano Vital do Rêgo (MDB), participou nesta quarta-feira (16) da sabatina da BandNews FM João Pessoa. Durante a entrevista, ele falou sobre educação, conectividade nas áreas rurais, valorização dos professores, maioridade penal e combate às facções criminosas.
Ao abordar a internet nas escolas das zonas rurais, Veneziano defendeu investimentos públicos para ampliar a conectividade e garantir laboratórios adequados aos estudantes.
“É fundamental que nós tenhamos vontade política e é fácil você ter essas informações”, afirmou.
Segundo o candidato, investimentos realizados nos últimos anos permitiram ampliar o acesso à internet em escolas de regiões mais afastadas do país.
Veneziano citou uma solenidade da qual participou em Brasília, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do então ministro da Educação, Camilo Santana. Na ocasião, segundo ele, uma escola localizada no interior da região Norte apresentava estudantes e professores utilizando recursos de conectividade.
“Os alunos estudando, tendo acesso a conhecimentos e a novas informações, porque houve investimentos através de satélites, enfim, uma ampliação considerável de milhares de escolas que no Brasil passaram a ter nesses últimos três anos essa conectividade”, declarou.
Para Veneziano, a ampliação do acesso à internet deve ser tratada como prioridade educacional.
“Investir na educação, qualificando-a através dos meios possíveis de acesso às informações, ao conhecimento, às experiências que a internet propicia, é decisivo e fundamental”, afirmou.
Durante a resposta, Veneziano citou dados sobre analfabetismo na Paraíba e afirmou que o estado possui quase 380 mil pessoas analfabetas, em uma população de aproximadamente 4,1 milhões de habitantes.
“Eu fiquei estupefaciado. Quase 380 mil pessoas que são analfabetas num universo de 4 milhões e 100 mil habitantes”, disse.
O candidato também criticou problemas estruturais relacionados à educação pública e mencionou questões como atendimento, merenda escolar e falta de professores.
Segundo Veneziano, a melhoria da qualidade do ensino depende de gestão e de decisões políticas.
“Não há segredos para você ter uma qualidade de ensino, como não há segredos para você ter serviços sendo prestados com qualidade. Há muito de vontade política ou ausência de vontade política e má gestão”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de a União ajudar municípios que enfrentam dificuldades para pagar o piso nacional do magistério, Veneziano afirmou que o apoio pode ocorrer quando for comprovada a insuficiência de recursos.
“Claro, se comprovada a insuficiência”, respondeu.
O candidato também defendeu a valorização dos profissionais que atuam na estrutura técnica de apoio às escolas.
“É fundamental que isso se dê”, afirmou ao defender a criação de mecanismos de valorização para os profissionais que integram a estrutura técnica de apoio ao magistério.
Veneziano citou ainda sua atuação na área da educação e afirmou ter participado de discussões relacionadas ao Plano Nacional de Educação (PNE) e ao sistema nacional de ensino.
Ele também mencionou a criação de três novos institutos federais na Paraíba.
Segundo Veneziano, o Instituto Federal de Queimadas, o Instituto Federal de Mamanguape e o Instituto Federal de Sapé foram iniciativas e sugestões apresentadas por ele ao Ministério da Educação e ao presidente Lula.
O candidato também citou o Vale do Piancó, que, segundo ele, é a única região paraibana sem uma instituição de formação superior, e defendeu a possibilidade de extensão de uma universidade para a região.
Durante a sabatina, Veneziano também foi questionado sobre a redução da maioridade penal diante de casos envolvendo adolescentes em crimes violentos.
O candidato afirmou não ter dificuldade em defender a discussão sobre a redução da idade de responsabilização penal de 18 para 16 anos.
“Não tenho dificuldades nenhuma de fazer essa discussão”, declarou.
Segundo Veneziano, a realidade atual é diferente daquela existente quando o Código Penal foi estabelecido, em 1940.
“Um jovem de 16 anos sabe muito bem, tanto quanto um jovem de 18 ou um jovem de 60, muito bem o que está fazendo”, afirmou.
Ele disse ainda que a discussão poderia alcançar uma idade inferior a 16 anos, embora tenha destacado especificamente a possibilidade de redução de 18 para 16 anos.
“Eu acho plenamente compreensível e defensável você discutir essa menoridade, ou seja, baixar essa maioridade de 18 para 16”, declarou.

Sobre o avanço das organizações criminosas, Veneziano afirmou que o Estado brasileiro deixou de agir de maneira adequada durante décadas, permitindo que grupos criminosos ocupassem espaços.
“Os espaços foram sendo ocupados por organizações criminosas”, afirmou.
O candidato citou ainda a infiltração do crime organizado em atividades econômicas legalizadas e mencionou o setor de combustíveis como exemplo.
Segundo Veneziano, organizações criminosas podem utilizar empresas para lavagem de dinheiro obtido com atividades ilegais, como tráfico de drogas e armas.
Ele também afirmou que empresas utilizadas pelo crime organizado podem praticar preços menores por não arcarem com os mesmos custos tributários de estabelecimentos regulares.
Veneziano defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e afirmou que o texto prevê mais investimentos e integração entre estruturas de segurança dos governos federal, estaduais e municipais.
“A PEC da Segurança garante mais investimentos, garante relação de inteligência entre as estruturas de Estado”, declarou.
O candidato também citou uma proposta apresentada por ele para incluir guardas civis e agentes de trânsito entre as forças de segurança.
Segundo Veneziano, a proposta já foi aprovada no Senado e está em análise na Câmara dos Deputados.
Ele ainda defendeu investimentos em tecnologia para monitoramento das fronteiras brasileiras.
“Você tem que ter investimento em tecnologia para fazer esse acompanhamento, para fazer esse rastreamento”, afirmou.
Para Veneziano, o combate às organizações criminosas também precisa alcançar a infiltração em atividades econômicas.
“Você tem que ter um combate permanente dentro dos ambientes”, declarou.