segunda-feira, 24 de agosto de 2026
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Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor
Medida afeta diversos setores da economia, enquanto autoridades brasileiras articulam ações para reduzir os impactos ao comércio exterior.
22 de julho de 2026 09:53
Thyago Lúcio - Portal Arapuan Divulgação/Embaixada dos EUA
Nova cobrança altera regras para parte das exportações destinadas ao mercado norte-americano. Foto: Divulgação/Embaixada dos EUA

A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi adotada pelo governo norte-americano após investigações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e atinge diversos setores da economia, embora alguns dos principais itens exportados pelo Brasil tenham ficado de fora da taxação.

Segundo o USTR, a decisão foi motivada por práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. Entre os pontos citados estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e desmatamento ilegal.

O governo brasileiro, por sua vez, contesta as justificativas e afirma que as alegações envolvendo o Pix e a regulação das plataformas digitais são improcedentes.

Produtos isentos e setores afetados

Apesar da nova tarifa, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos foram excluídos da medida.

Ficaram isentos:

  • Petróleo;
  • Carne bovina;
  • Café;
  • Itens da aviação civil.

Juntos, esses produtos responderam por cerca de um terço das exportações brasileiras para o mercado norte-americano no primeiro semestre deste ano.

Por outro lado, continuam sujeitos à sobretaxa setores como:

  • Ferro e aço;
  • Vestuário;
  • Calçados;
  • Açúcar;
  • Etanol;
  • Produtos farmacêuticos;
  • Maquinário agrícola;
  • Máquinas elétricas não destinadas à aviação;
  • Outros produtos manufaturados.

Segundo o governo dos Estados Unidos, as isenções foram concedidas a produtos que não possuem produção suficiente no mercado interno americano, evitando impactos no abastecimento e na economia do país.

Governo brasileiro prepara resposta

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade Comercial não deve ser interpretada como uma retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para responder a medidas consideradas injustas.

“A ideia não é retaliação. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso.”

Após reunião com representantes dos setores afetados, Alckmin informou que o governo estruturou a resposta em três frentes:

  • Apoio financeiro às empresas afetadas;
  • Diversificação dos mercados de exportação;
  • Diálogo permanente com os setores produtivos.

Entenda a Lei da Reciprocidade

A Lei da Reciprocidade Comercial, aprovada pelo Congresso Nacional e regulamentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autoriza o Brasil a adotar medidas contra ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade nacional.

Entre as possibilidades previstas estão:

  • Restrições à importação de bens e serviços;
  • Suspensão de concessões comerciais;
  • Suspensão de direitos de propriedade intelectual;
  • Aumento de tarifas sobre produtos importados.

No entanto, antes da adoção dessas medidas, a legislação determina que o governo brasileiro realize consultas diplomáticas para buscar uma solução negociada.


Resumo da Notícia

  • Tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira.
  • Medida atinge diversos setores, mas café, carne bovina, petróleo e aviação civil ficaram isentos.
  • Governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos.
  • Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade busca corrigir uma situação considerada injusta.
  • O governo prepara apoio às empresas, busca novos mercados e mantém diálogo com os setores afetados.
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