quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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Oposição obstrui e fim da escala 6×1 não vai a plenário
Dos 27 senadores presentes na CCJ, quatro registraram votos contrários à proposta:
3 de setembro de 2026 09:46
Redação
Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

A PEC que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho não será votada pelo Senado nesta quarta-feira (2). Sem segurança sobre os votos necessários, a base do governo decidiu não levar a proposta ao plenário, e a análise deve ocorrer somente após o primeiro turno das eleições, em outubro.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AC), afirmou que a oposição conseguiu esvaziar o plenário e impedir a votação. Segundo ele, houve uma “ação coordenada” de oposicionistas.

Randolfe citou a participação dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição.

“Hoje, houve um movimento bem sucedido da oposição”, afirmou Randolfe Rodrigues.

O senador também declarou que a oposição é contrária ao fim da escala 6×1. Segundo ele, a resistência já havia aparecido durante a tramitação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Quatro senadores votaram contra na CCJ

Dos 27 senadores presentes na CCJ, quatro registraram votos contrários à proposta:

  • Rogério Marinho (PL-RN);
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
  • Tereza Cristina (PP-MS);
  • Jaime Bagattoli (PL-RO).

Apesar dos votos contrários, a aprovação da PEC na comissão ocorreu de forma simbólica.

Agora, a proposta precisa passar pelo plenário do Senado em dois turnos. Para ser aprovada, são necessários 49 votos favoráveis, o equivalente a 60% dos 81 senadores.

O que prevê a PEC 221/2019

A PEC 221/2019 estabelece duas mudanças principais nas regras atuais de trabalho.

A proposta prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. Além disso, reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.

O texto estabelece ainda uma regra de transição de 14 meses para a mudança na jornada.

Votação chegou a ser acelerada

A CCJ aprovou um calendário especial para acelerar a tramitação da matéria. A medida eliminou os intervalos regimentais, chamados de interstícios.

Com isso, a proposta poderia chegar ao plenário ainda nesta semana, em regime de urgência.

Entretanto, a inclusão da PEC na pauta depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Segundo Randolfe, Alcolumbre questionou os governistas sobre a existência de segurança em relação ao número de votos necessários.

Diante da resposta negativa, governo e presidente do Senado consideraram mais prudente não submeter a proposta à votação.

A avaliação foi de que a PEC poderia ser derrotada, principalmente diante da ausência de senadores no plenário, o que dificultaria alcançar o mínimo de 49 votos.

Governo calcula até 54 votos favoráveis

Randolfe Rodrigues afirmou que o governo estimava contar com 53 ou 54 votos favoráveis à proposta.

Apesar disso, o número não foi considerado suficiente para garantir a aprovação, já que a margem em relação aos 49 votos necessários não ofereceria segurança.

O próximo esforço concentrado de votações no Congresso está previsto para a segunda semana de outubro.

Oposição apresenta proposta alternativa

A Agência Brasil procurou o senador Rogério Marinho, líder da oposição, para comentar a retirada da PEC da pauta, mas não havia recebido resposta até a publicação.

Contrário à proposta, Marinho apresentou uma alternativa que mantém a escala 6×1 e a jornada semanal máxima de 44 horas.

A iniciativa permite diferentes jornadas de trabalho mediante negociação direta entre empregados e empregadores. A remuneração seria calculada de acordo com as horas trabalhadas.

A reportagem também procurou Flávio Bolsonaro para comentar as declarações de Randolfe.

Integrante da CCJ, Flávio estava ausente quando a PEC foi aprovada no colegiado. Nos últimos dias, ele também defendeu o pagamento por hora trabalhada.

O senador evitou informar como votaria no texto que prevê o fim da escala 6×1. O espaço para manifestação permanece aberto.

Resumo da Notícia

  • PEC do fim da escala 6×1 não é votada pelo Senado nesta quarta-feira (2).
  • Governo afirma não ter segurança sobre os 49 votos necessários para aprovação.
  • Proposta reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais.
  • Texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
  • Nova tentativa de votação deve ocorrer após o primeiro turno das eleições, em outubro.
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