
Os advogados José Antonio Cremasco e Thais Proença Cremasco tiveram os registros suspensos pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e estão impedidos de exercer a profissão. A medida, determinada pela 17ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina e divulgada na última quinta-feira (27), tem caráter preventivo e duração de 90 dias.
A suspensão ocorre em meio à apuração de supostas irregularidades no repasse de valores de ações judiciais aos clientes. O caso é investigado internamente pela OAB e também pela Polícia Civil.
Em julho de 2026, os advogados foram condenados a pagar R$ 239,5 mil a um cliente que não teria recebido o valor referente a uma ação trabalhista de 2014.
A decisão, da qual cabe recurso, foi proferida pelo juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas.
Segundo o magistrado, o escritório Cremasco levantou valores de uma ação que tramitou na 10ª Vara do Trabalho de Campinas, cujo total era de R$ 319.402,58.
Ainda de acordo com a decisão, o escritório teria retido uma quantia superior aos 25% previstos em contrato como honorários advocatícios.
A Polícia Civil apura pelo menos nove inquéritos com teor semelhante envolvendo o escritório.
Um dos procedimentos foi instaurado em 2025, após uma denúncia encaminhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
A OAB confirmou as suspensões e informou que apura infrações disciplinares por meio de representações ou de fatos divulgados publicamente. Os processos tramitam sob sigilo.
José Antonio Cremasco declarou ter “absoluto respeito pela OAB e pelas instituições”. Ele afirmou que a decisão será tratada pelos meios jurídicos adequados e que apresentará os esclarecimentos pertinentes.
“Neste momento, por cautela e respeito ao próprio procedimento, prefiro não discutir publicamente aspectos específicos do processo. Ao longo de mais de quatro décadas de advocacia, sempre pautei minha atuação pelo respeito aos clientes, à Justiça e às instituições, e seguirei exercendo plenamente meu direito de defesa”, afirmou.
Thais Proença Cremasco afirmou ter recebido a decisão “com respeito, mas com preocupação”. A advogada disse confiar na Justiça e na OAB e destacou sua trajetória na defesa de direitos de mulheres, da população negra e de grupos vulneráveis.