
A contagem regressiva para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, com provas marcadas para os dias 8 e 15 de novembro, intensifica a rotina de estudos, simulados e a cobrança pessoal por resultados. Esse cenário de pressão impacta diretamente o bem-estar mental dos candidatos: um estudo brasileiro com 1.046 vestibulandos revelou que 23,5% deles apresentavam níveis moderados ou graves de ansiedade, índice associado principalmente à ideia de que a prova define o futuro e ao sentimento de obrigação.
Sentir certo nervosismo antes de um exame decisivo é normal e atua até como fator mobilizador. A preocupação surge quando o estado de alerta se torna crônico e compromete o funcionamento básico do dia a dia.
“Sentir ansiedade em alguns momentos faz parte da vida e pode ser até saudável e necessária. O alerta acende quando o excesso de pensamentos domina a mente, causando agitação, falta de concentração ou bloqueio emocional e até perda de ação. Se o prejuízo atinge o sono, os estudos, a convivência e os momentos de lazer, a busca por apoio profissional torna-se indispensável.”, explica Márcia Varejão, pediatra, homeopata e especialista em medicina integrativa. Nos adolescentes, o sofrimento psíquico nem sempre surge em forma de desabafo verbal.
Fique atento a estes sintomas práticos:
Para quadros leves e circunstanciais, pequenas correções na rotina diária ajudam a restabelecer o equilíbrio e devolver a clareza mental:
O estudante Enrico Nunes, de 17 anos, sentiu a aceleração do ritmo mental com a aproximação dos vestibulares e adotou técnicas de desaceleração.
“Tem momentos em que parece que a cabeça nunca para. Você termina uma coisa e já está pensando na próxima, pega o celular, vê mais informação e continua naquele ritmo. Comecei a perceber que precisava ter alguns momentos em que realmente desacelerasse. Meditar é uma coisa que eu comecei a testar e percebi que me ajuda a diminuir um pouco esse barulho. Também tento sair, fazer alguma atividade ou ficar um tempo longe do celular quando percebo que estou muito acelerado.”, diz Enrico Nunes, vestibulando.
Para sua mãe, Cilene Simões, ensinar o jovem a reconhecer os próprios limites corporais e emocionais é a chave para evitar crises maiores:
“Sempre procurei mostrar que cuidar da saúde não significa esperar alguma coisa acontecer para depois agir. Minha intenção sempre foi ensinar meus filhos a perceberem o próprio corpo e entenderem quando precisam diminuir o ritmo. Hoje o Enrico consegue dizer que está ansioso e buscar uma maneira de se acalmar.”, completa a mãe de Enrico, Cilene Simões.
Embora mudanças de hábitos e terapias integrativas tragam alívio imediato para a tensão pré-prova, elas não substituem o diagnóstico clínico quando há prejuízo funcional persistente.
Se a falta de ar, as crises de pânico, a insônia crônica ou a incapacidade de estudar persistirem, a consulta com um médico ou psicólogo deve ser priorizada imediatamente para definir a melhor intervenção terapêutica. O objetivo na reta final do Enem não é eliminar por completo a ansiedade, mas garantir que o estudante preserve sua integridade física e emocional durante e após o exame.