sábado, 7 de novembro de 2026
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Não consegue dormir antes do Enem? Saiba como controlar a ansiedade
O objetivo na reta final do Enem não é eliminar por completo a ansiedade, mas garantir que o estudante preserve sua integridade física e emocional durante e após o exame.
7 de novembro de 2026 09:49
Band.com.br Stockking/Magnific
Sentir certo nervosismo antes de um exame decisivo é normal e atua até como fator mobilizador. Foto: Stockking/Magnific

A contagem regressiva para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, com provas marcadas para os dias 8 e 15 de novembro, intensifica a rotina de estudos, simulados e a cobrança pessoal por resultados. Esse cenário de pressão impacta diretamente o bem-estar mental dos candidatos: um estudo brasileiro com 1.046 vestibulandos revelou que 23,5% deles apresentavam níveis moderados ou graves de ansiedade, índice associado principalmente à ideia de que a prova define o futuro e ao sentimento de obrigação.

O limite entre tensão natural e sinal de alerta

Sentir certo nervosismo antes de um exame decisivo é normal e atua até como fator mobilizador. A preocupação surge quando o estado de alerta se torna crônico e compromete o funcionamento básico do dia a dia.

“Sentir ansiedade em alguns momentos faz parte da vida e pode ser até saudável e necessária. O alerta acende quando o excesso de pensamentos domina a mente, causando agitação, falta de concentração ou bloqueio emocional e até perda de ação. Se o prejuízo atinge o sono, os estudos, a convivência e os momentos de lazer, a busca por apoio profissional torna-se indispensável.”, explica Márcia Varejão, pediatra, homeopata e especialista em medicina integrativa. Nos adolescentes, o sofrimento psíquico nem sempre surge em forma de desabafo verbal.

Fique atento a estes sintomas práticos:

  • Insônia, despertares frequentes ou sono não reparador
  • Irritabilidade constante e oscilações bruscas de humor
  • Dificuldade de retenção, foco e concentração nos estudos
  • Queda súbita de rendimento ou bloqueio total diante de tarefas habituais
  • Isolamento social e afastamento de momentos de convivência

Medicina integrativa e estilo de vida na redução da sobrecarga

Para quadros leves e circunstanciais, pequenas correções na rotina diária ajudam a restabelecer o equilíbrio e devolver a clareza mental:

  • Higiene do sono: estabelecer horários regulares para deitar e acordar, reduzindo o uso de telas (celulares, tablets e computadores) pelo menos uma hora antes de dormir.
  • Pausas programadas: intercalar blocos de estudo com intervalos sem consumo de redes sociais.
  • Atividade física regular: exercícios aeróbicos ou caminhadas leves ajudam a descarregar a adrenalina e regular os hormônios do estresse.
  • Práticas Integrativas e Complementares (PICS): recursos como meditação e mindfulness demonstraram eficácia na redução de sintomas ansiosos em revisão sistemática de 2024. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece 29 modalidades integrativas — incluindo yoga, acupuntura e homeopatia —, sempre como apoio ao bem-estar e nunca como substituição a tratamentos clínicos.

A experiência na prática e o suporte familiar

O estudante Enrico Nunes, de 17 anos, sentiu a aceleração do ritmo mental com a aproximação dos vestibulares e adotou técnicas de desaceleração.

“Tem momentos em que parece que a cabeça nunca para. Você termina uma coisa e já está pensando na próxima, pega o celular, vê mais informação e continua naquele ritmo. Comecei a perceber que precisava ter alguns momentos em que realmente desacelerasse. Meditar é uma coisa que eu comecei a testar e percebi que me ajuda a diminuir um pouco esse barulho. Também tento sair, fazer alguma atividade ou ficar um tempo longe do celular quando percebo que estou muito acelerado.”, diz Enrico Nunes, vestibulando.

Para sua mãe, Cilene Simões, ensinar o jovem a reconhecer os próprios limites corporais e emocionais é a chave para evitar crises maiores:

“Sempre procurei mostrar que cuidar da saúde não significa esperar alguma coisa acontecer para depois agir. Minha intenção sempre foi ensinar meus filhos a perceberem o próprio corpo e entenderem quando precisam diminuir o ritmo. Hoje o Enrico consegue dizer que está ansioso e buscar uma maneira de se acalmar.”, completa a mãe de Enrico, Cilene Simões.

Quando procurar apoio médico especializado

Embora mudanças de hábitos e terapias integrativas tragam alívio imediato para a tensão pré-prova, elas não substituem o diagnóstico clínico quando há prejuízo funcional persistente.

Se a falta de ar, as crises de pânico, a insônia crônica ou a incapacidade de estudar persistirem, a consulta com um médico ou psicólogo deve ser priorizada imediatamente para definir a melhor intervenção terapêutica. O objetivo na reta final do Enem não é eliminar por completo a ansiedade, mas garantir que o estudante preserve sua integridade física e emocional durante e após o exame.

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