
O Ministério Público da Paraíba ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o delegado Braz Marroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge.
A ação tornou-se pública nesta segunda-feira (31) e busca responsabilizar os três servidores na esfera cível. Eles estão presos durante as investigações sobre um suposto esquema de desvio de drogas.
Em caráter liminar, o MPPB pede o afastamento imediato das funções públicas e a indisponibilidade dos bens dos investigados.
Segundo o órgão, o bloqueio busca garantir o ressarcimento aos cofres públicos e a devolução de valores supostamente obtidos de forma ilícita.
O processo é um desdobramento das investigações conduzidas pelo Gaeco e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado. As apurações começaram após uma denúncia anônima.
Os três investigados estavam lotados na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio.
Segundo o Ministério Público da Paraíba, os servidores teriam utilizado os cargos para se apropriar de entorpecentes apreendidos.
Eles também são acusados de subtrair drogas pertencentes a terceiros, simular operações policiais e revender o material.
O grupo teria obtido vantagens econômicas para os próprios integrantes e para uma organização criminosa com a qual manteria ligação.
Conforme a ação, as condutas investigadas teriam ocorrido entre 2024 e 2026.
Para o Ministério Público, a retirada imediata dos policiais das funções é necessária para garantir o andamento regular do processo.
O órgão também sustenta que a medida poderá impedir a prática de novas irregularidades durante a tramitação da ação.
O pedido de afastamento e bloqueio patrimonial ainda depende de decisão judicial.
A defesa de Eduardo Jorge informou que recebeu a nova ação relacionada à Operação Pérfidus “com perplexidade”.
Os advogados afirmaram que souberam do processo pela imprensa e ainda não tiveram acesso completo às provas utilizadas para fundamentar as acusações.
As defesas de Braz Marroni e Everton Aires não se manifestaram até a última atualização da reportagem.
O MPPB já havia apresentado denúncias criminais contra o delegado e os dois agentes.
Segundo o Gaeco, os investigados devem responder por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.
Na primeira denúncia, o Ministério Público pediu a perda dos cargos, a conversão das prisões temporárias em preventivas e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
Conforme a acusação, os investigados recebiam informações sobre imóveis utilizados para armazenar entorpecentes.
Em seguida, eles teriam realizado incursões nesses locais e registrado oficialmente apenas uma pequena parte das drogas encontradas.
O MPPB afirma ter reunido análises de celulares, dados de geolocalização da viatura e informações obtidas por meio da quebra de sigilos telemático, bancário e fiscal.
As acusações também são sustentadas por monitoramentos, documentos e depoimentos reunidos durante a investigação.