
A Justiça da Paraíba determinou a soltura da influenciadora Thaisa Figueiredo, investigada no caso da morte do empresário Glicério Feitosa, assassinado em maio de 2026, em João Pessoa. A decisão foi tomada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).
A blogueira havia sido presa no dia 28 de outubro, junto com o pai, durante a Operação Aurum, deflagrada pela Polícia Civil. Os dois também foram colocados em liberdade por determinação judicial.
A informação foi confirmada nessa terça-feira (3) pela advogada Sthefannye Coutinho, responsável pela defesa da influenciadora.
Segundo a defesa, a decisão considerou que não havia indícios de participação ou conhecimento de Thaisa sobre o assassinato. A advogada também afirmou que a investigada entregou o celular à Justiça e que as apurações não encontraram provas de envolvimento dela no crime.
Durante a operação, foram cumpridos 18 mandados judiciais. Thaisa era suspeita de movimentar cerca de R$ 3 milhões e de ceder um veículo a um dos envolvidos no assassinato.
Ainda conforme a defesa, o carro teria sido emprestado por causa do relacionamento da influenciadora com um dos investigados. As movimentações financeiras, no entanto, ainda não foram analisadas pela Justiça.
Thaisa responderá ao processo em liberdade, sem medidas cautelares específicas. Ela deverá comparecer à Justiça nos prazos determinados e não poderá manter contato com os demais investigados.
Glicério Oliveira Feitosa foi morto a tiros em 14 de maio de 2026, em frente a uma loja de veículos no bairro do Geisel, em João Pessoa.
O empresário havia disputado a Prefeitura de Bayeux nas eleições de 2024, pelo Partido Novo. Natural de Parambu, no Ceará, atuava nos setores alimentício e de transportes.
Em 2023, recebeu o título de cidadão paraibano durante uma sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), em reconhecimento aos investimentos realizados no estado.
Na ocasião do assassinato, dois suspeitos chegaram ao local em uma motocicleta. Um deles desceu do veículo e efetuou vários disparos contra o empresário.
Imagens de câmeras de segurança mostraram que Glicério tentou reagir ao ataque, pegando uma arma na região da cintura.
Inicialmente tratado como homicídio, o caso passou a ser investigado como latrocínio, que é o roubo seguido de morte.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, André Rabelo, as investigações identificaram uma quadrilha especializada em roubos de joias e outros objetos de valor, especialmente ouro.
O empresário teria sido escolhido como alvo do grupo por ostentar joias, relógios e outros bens nas redes sociais. Durante a tentativa de roubo, houve uma reação e ele foi atingido pelos disparos.
A Polícia Civil informou que identificou um grupo de WhatsApp utilizado pelos integrantes para compartilhar informações sobre possíveis vítimas.
No fim de outubro, sete pessoas foram presas durante uma operação em bairros de João Pessoa. Entre elas estavam uma blogueira, suspeita de ceder o veículo usado no levantamento da vítima, e o ex-namorado dela, apontado como participante direto dessa etapa.
Também foram presos dois suspeitos de participação no dia da execução e integrantes da organização criminosa que atuava na Região Metropolitana de João Pessoa.
A Polícia Civil continua investigando o caso para individualizar a participação de cada suspeito. Segundo o delegado-geral, os celulares apreendidos e as provas reunidas devem contribuir para a conclusão do inquérito e o encaminhamento do caso ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.