

Em repercussão aos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista a um podcast e buscou marcar distanciamento do ministro Alexandre de Moraes, no contexto das apurações sobre mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante a declaração, o chefe do Executivo enfatizou que o caso exige investigação rigorosa com garantia do direito de defesa, ressaltando que ninguém está acima da lei. Para reforçar o afastamento formal em relação ao magistrado, Lula lembrou que a indicação de Moraes ao STF não ocorreu em sua gestão nem durante um governo do PT.
Ainda assim, defendeu a atuação do ministro na condução de processos judiciais, citando a preservação da democracia e o julgamento dos episódios de 8 de janeiro.
Entre outros assuntos abordados na entrevista, o presidente tratou da proibição de apostas esportivas, responsabilização por crimes com inteligência artificial, exploração de petróleo na margem equatorial para financiar a educação e destacou que cabe ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, zelar pela credibilidade da instituição.
Paralelamente às declarações do meio político, o plenário do STF retoma os trabalhos nesta quarta-feira sob a expectativa de como os ministros reagirão no primeiro reencontro após a sessão extraordinária marcada por intensos embates verbais e pelo pedido de vista do ministro Flávio Dino.
A pauta do dia retoma a agenda ordinária do tribunal com temas voltados a direitos sociais e regulatórios, incluindo a licença maternidade e paternidade, a aplicação do Estatuto da Pessoa Idosa diante de reajustes em planos de saúde e a incidência do ITBI sobre transferências imobiliárias promovidas por empresas do setor.
O retorno às deliberações ocorre sob o olhar atento de analistas jurídicos e da imprensa sobre uma eventual manifestação dos magistrados a respeito dos episódios de atrito do dia anterior ou a manutenção de uma postura de normalidade institucional durante a abertura dos trabalhos.