sexta-feira, 31 de julho de 2026
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Estudo identifica 544 anúncios falsos do Desenrola Brasil em redes sociais
Levantamento aponta uso de páginas fraudulentas, inteligência artificial e falsas promessas para aplicar golpes em usuários
31 de julho de 2026 13:14
Redação com informações da Agência Brasil
Imagem meramente ilustrativa de um sujeito utilizando o computador – (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou 544 anúncios falsos sobre o programa Desenrola Brasil em redes sociais entre 1º de abril e 14 de junho deste ano. Segundo o estudo, as publicações foram utilizadas para aplicar golpes contra usuários e coletar dados pessoais.

A pesquisa analisou plataformas da Meta, como Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Messenger, além da Audience Network, sistema utilizado pela empresa para exibir anúncios em aplicativos de terceiros.

De acordo com o levantamento, as fraudes foram publicadas por 48 páginas diferentes.

Maioria dos anúncios usava o nome do programa

Segundo o Netlab, 34 páginas utilizaram o nome oficial Desenrola Brasil para divulgar 278 anúncios fraudulentos.

Outras 15 páginas usaram um suposto programa governamental chamado Libera Brasil, que não existe, para publicar 264 anúncios. Uma página utilizou os dois nomes para aplicar os golpes.

O Desenrola Brasil foi criado em 2023 para facilitar a renegociação de dívidas dos consumidores. Em maio deste ano, o governo federal lançou uma segunda versão do programa.

Golpes aumentaram após nova fase do programa

Os pesquisadores afirmam que os golpes começaram ainda em 2023, logo após o lançamento da primeira versão do programa.

Naquele ano, segundo o estudo, o Ministério da Justiça determinou a retirada dos anúncios do ar e aplicou uma medida cautelar que resultou em multa de R$ 9,3 milhões contra a Meta.

Ainda assim, os anúncios voltaram a circular e ganharam força após o lançamento da nova etapa do programa, em maio.

Inteligência artificial e falsas páginas oficiais

O estudo aponta que 72% dos anúncios utilizavam indevidamente o nome e a imagem do governo ou de empresas privadas, como bancos e veículos de comunicação.

Além disso:

  • 19,1% direcionavam usuários para páginas que imitavam canais oficiais do governo;
  • 38,1% continham conteúdo produzido por inteligência artificial.

Segundo a diretora do Netlab, Marie Santini, a presença de anúncios legítimos e fraudulentos na mesma plataforma dificulta a identificação dos golpes pelos usuários.

“As pessoas não sabem que tantos anúncios fraudulentos estão circulando nas redes sociais sem nenhum tipo de fiscalização, de filtro ou de sistema de segurança. Isso torna cada vez mais perigoso, porque anúncios legítimos e ilegítimos aparecem misturados”, afirmou.

Após atrair as vítimas, os golpistas coletavam informações pessoais e direcionavam os usuários para conversas no WhatsApp, onde davam continuidade às fraudes.

Netlab cobra maior fiscalização

O levantamento destaca que os criminosos utilizam estratégias como promessas de soluções financeiras irreais e sensação de urgência para incentivar os cliques.

Para Marie Santini, as plataformas digitais deveriam reforçar os mecanismos de verificação dos anunciantes e dos conteúdos publicados.

“É obrigação daquele que presta o serviço garantir segurança e qualidade para o consumidor. As autoridades precisam punir as plataformas”, declarou.

Meta diz reforçar combate às fraudes

Em nota, a Meta informou que o combate a golpes online é prioridade da empresa.

Segundo a companhia, estão sendo utilizados recursos de inteligência artificial, modelos de linguagem, reconhecimento facial e ferramentas de segurança para detectar e remover conteúdos fraudulentos.

A empresa informou ainda que as denúncias de usuários sobre anúncios de golpes caíram mais de 50% entre meados de 2024 e o fim de 2025.

Ainda conforme a Meta, em 2025 foram removidos mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos, sendo 92% antes mesmo de serem denunciados. A empresa também afirmou ter desativado 10,9 milhões de contas ligadas a centros de aplicação de golpes.

A companhia reforçou que não permite conteúdos que violem suas políticas e informou que coopera com as autoridades brasileiras conforme a legislação vigente.

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