
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a remessa ao plenário presencial da Corte do julgamento do caso coloca em debate a liberdade religiosa, o enquadramento da Lei Federal 6.802/1980 – que declara Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil -, o controle de decisões monocráticas da Justiça Eleitoral e a remoção em massa de conteúdos por plataformas digitais.
O processo foi movido pelo deputado federal Marlon Alessandro da Silva Barbosa (PT) contra ato da relatora de uma ação no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), figurando como beneficiário o diretório estadual do Partido Novo no Paraná. A controvérsia central decorre de desdobramentos de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de juízes de propaganda eleitoral que atribuíram a empresas de tecnologia o poder de moderar e remover publicações na internet.
O relator alertou para a urgência da matéria devido à proximidade do dia 12 de outubro, data em que centenas de milhões de fiéis prestam homenagens à Padroeira do Brasil, ressaltando o risco iminente de “censura em massa” caso permaneça a insegurança jurídica sobre as regras impostas às redes sociais.
Em seu despacho, Flávio Dino estruturou a necessidade de manifestação do plenário em quatro pontos fundamentais:
O processo aguarda agora a definição de data pelo presidente do STF para a inclusão em pauta do plenário presencial.
O caso ganhou repercussão após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reativar postagens sobre o caso tema derrubadas pelo ministro André Mendonça, também do STF, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Origem da associação
A história associando o nome de Flávio Bolsonaro ao projeto começou a circular na noite de quinta-feira, 24, depois que o programa Em Pauta, da GloboNews, informou que a Igreja Católica estaria preparando uma reação a uma suposta mobilização de evangélicos em torno de um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A informação foi apresentada como algo que poderia ter repercussão eleitoral entre os católicos.
Horas depois, a própria GloboNews corrigiu a informação e explicou que a proposta havia sido apresentada na Câmara dos Deputados em 2007 e arquivada em 2008. O canal pediu desculpas pelo erro.
Ainda assim, a associação entre o projeto e Flávio Bolsonaro passou a circular nas redes sociais. Segundo o levantamento citado pelo Estadão, foram quase 1 milhão de publicações sobre o assunto em menos de três dias.
A campanha do candidato afirmou que a narrativa teria partido de uma publicação do influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, conhecido pelo perfil “Dilma Bolada”.