
A declaração oficial divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28), após sua chegada a Miami, nos Estados Unidos, passou por três versões consecutivas apenas alguns minutos. As alterações corrigiram uma falha no Brasão da República estampado no cabeçalho e para ajustar o tom político sobre a forma como o parlamentar se apresentava ao público.
A primeira versão do documento foi colocada em circulação trazendo no topo a imagem de um Brasão de Armas desatualizado, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, grafada com a letra “Z”. A grafia e a nomenclatura correspondem ao símbolo oficial da República utilizado antes de 1968, ano em que o país adotou a denominação “República Federativa do Brasil”.
Além da falha visual, o texto original abria com o senador autoproclamando-se o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e alegando ter sido vítima de fraude no segundo turno das eleições, mesmo sem apresentar qualquer prova de irregularidades no pleito.
Diante da repercussão do erro gráfico, uma segunda versão da carta foi emitida. Nessa atualização, a imagem do símbolo nacional foi corrigida para o Brasão da República Federativa do Brasil atual, mantendo-se, contudo, a autoproclamação do parlamentar como “presidente eleito” no corpo do texto.
Pouco tempo depois, uma terceira versão do documento foi distribuída. Além de manter a arte do brasão devidamente corrigida, a nova edição promoveu um recuo político na apresentação do senador: o trecho em que Flávio se declarava “presidente eleito” foi alterado para se denominar como “líder” da oposição e do país a partir do exterior.
A divulgação da carta ocorreu no contexto da saída do senador do território brasileiro. Após cruzar a fronteira terrestre com a Argentina e fazer uma escala técnica no Equador, Flávio Bolsonaro desembarcou na Flórida na manhã de quarta-feira, justificando a viagem como uma medida para liderar a oposição fora do país diante de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).