quinta-feira, 10 de setembro de 2026
publicidade
Poupança tem saída líquida de R$ 10,5 bilhões em agosto, diz BC
Saques superaram depósitos pelo terceiro mês consecutivo; no acumulado de 2026, retirada líquida já chega a R$ 57,1 bilhões
10 de setembro de 2026 16:26
Redação
Imagem meramente ilustrativa (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

A caderneta de poupança registrou saída líquida de R$ 10,5 bilhões em agosto, com os saques superando os depósitos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Banco Central (BC).

No mês, foram aplicados R$ 357,7 bilhões, enquanto os saques somaram R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas chegaram a R$ 6,5 bilhões.

Mesmo com o resultado negativo, o saldo total da poupança permanece em pouco mais de R$ 1 trilhão.

Agosto foi o terceiro mês consecutivo em que a caderneta registrou mais retiradas do que depósitos. Em 2026, apenas maio teve saldo positivo, com mais recursos entrando do que saindo.

Saques acumulam R$ 57,1 bilhões em 2026

De janeiro a agosto, a poupança acumula R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas. Nos últimos anos, a caderneta também registrou períodos de saques superiores aos depósitos.

Em 2023, a retirada líquida foi de R$ 87,8 bilhões. Já em 2024, o resultado negativo chegou a R$ 15,5 bilhões. No ano passado, o saldo negativo alcançou R$ 85,6 bilhões.

Entre os fatores que ajudam a explicar o movimento está a Selic em patamar elevado, o que torna outros investimentos mais atrativos para os investidores.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 14% ao ano. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas.

O Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a reduzir a taxa em março, em um cenário de desaceleração da inflação. Entretanto, a guerra no Oriente Médio, com impactos sobre os preços de combustíveis e alimentos, dificulta novas reduções dos juros.

Inflação influencia decisões do BC

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para buscar o cumprimento da meta de inflação, definida em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro e o consumo tende a desacelerar. Ao mesmo tempo, investimentos de renda fixa podem se tornar mais atrativos, contribuindo para a saída de recursos da poupança.

Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e ajudaram a inflação oficial a desacelerar pelo quarto mês consecutivo. O IPCA registrou alta de 0,07% no mês, segundo o IBGE.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,44%, retornando para a margem de tolerância da meta.

O IPCA de agosto será divulgado pelo IBGE na próxima sexta-feira (11).

publicidade