
O comandante do Grupo Tático Aéreo (GTA) da Polícia Militar da Paraíba, coronel Carlos Nascimento, explicou de forma técnico sobre o acidente aéreo que matou o cantor Rick. Em entrevista à BandNews FM João Pessoa, nesta quinta-feira (24), ele explicou como funciona o acompanhamento de aeronaves, os procedimentos de busca e os fatores que podem ser analisados na investigação.
Ao comentar o momento em que o helicóptero “sumiu do radar”, o coronel explicou que a expressão não significa necessariamente que a aeronave deixou de ser localizada pelos controladores.
“Quando a gente escuta que a aeronave sumiu do radar não significa que ela desapareceu das telas dos controladores. O radar é apenas um sistema primário de localização da aeronave.”
Segundo Carlos Nascimento, além do radar primário, existem o radar secundário e outros meios de localização utilizados pelo controle aéreo.
“Nós temos um radar primário, nós temos um radar secundário e outras formas de localizar essa aeronave.”
Questionado sobre as condições do tempo no momento do acidente e sobre uma possível decisão de risco por parte do piloto, o comandante pediu cautela antes de apontar responsabilidades ou causas.
Segundo ele, apesar de as informações divulgadas indicarem condições meteorológicas adversas, ainda não é possível afirmar que esse tenha sido o único fator responsável pelo acidente.

O coronel explicou que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) conta com uma equipe multidisciplinar para analisar o ocorrido, formada por profissionais como engenheiros mecânicos, pilotos, psicólogos e assistentes sociais.
“Levantar alguma hipótese é complexo. O que a gente pode dizer é que, de fato, pelo que foi noticiado, as condições meteorológicas estavam adversas naquele momento.”
Ainda segundo Carlos Nascimento, somente o relatório do CENIPA poderá apontar os fatores que contribuíram para o acidente.
O comandante também foi questionado sobre a posição em que a aeronave ficou após a queda e se seria possível identificar alguma informação a partir das imagens.
Ele afirmou que não é possível determinar a dinâmica do acidente apenas pela posição em que o helicóptero foi encontrado.
“Apenas os engenheiros, os técnicos é que podem realmente afirmar o que de fato aconteceu na dinâmica daquele acidente.”
Carlos Nascimento também rebateu conclusões antecipadas sobre possíveis problemas na aeronave.
“Eu já vi alguém falando que faltou combustível, eu já vi alguém falando que a aeronave não estava com a manutenção correta, eu já vi alguém atribuindo como sendo a única causa, o único fator contribuinte daquele acidente, a questão meteorológica.”
Para o comandante, diferentes hipóteses podem ser analisadas, mas a confirmação depende da investigação técnica.
Outro ponto abordado na entrevista foi a possibilidade de o piloto interromper o deslocamento caso as condições meteorológicas piorem durante o voo.
Carlos Nascimento explicou que, em um helicóptero, havendo espaço adequado, o piloto pode realizar um pouso e aguardar a melhora das condições.
Ele citou situações vivenciadas pelo próprio Grupamento Aéreo da Paraíba.
“Isso é muito comum, inclusive na nossa própria operação aqui no Grupamento Aéreo.”
Segundo o coronel, em períodos de condições meteorológicas mais difíceis, a equipe já precisou pousar em Sapé ou Marim enquanto aguardava uma melhora no tempo para continuar até João Pessoa.
“A gente pousa em Sapé, a gente pousa em Marim e aguarda melhorar. Quando melhora, a gente decola e chega em João Pessoa.”
Questionado sobre o motivo desse procedimento não ter sido adotado no acidente, Carlos Nascimento foi direto:
“Por que não foi feito isso aí? Só a investigação vai dizer.”

O comandante informou ainda que o gravador de voz da aeronave, conhecido popularmente como “caixa-preta”, foi localizado pelas equipes de busca.
Segundo ele, o equipamento poderá contribuir para que os investigadores entendam melhor o que aconteceu.
“Isso vai facilitar, de algum modo, os investigadores do CENIPA para chegar a alguma conclusão.”
Carlos Nascimento também explicou que o equipamento não era obrigatório naquela aeronave, mas estava instalado.
Durante a entrevista, o comandante diferenciou a investigação técnica realizada pelo CENIPA da apuração feita pela polícia.
Segundo ele, o trabalho do CENIPA não tem objetivo punitivo, mas busca compreender a dinâmica do acidente, identificar fatores contribuintes e apresentar recomendações para evitar novas ocorrências.
“Essa investigação do CENIPA não busca culpados. Ela busca entender a dinâmica do fato, os fatores contribuintes e trazer algumas recomendações para que fatos dessa natureza não aconteçam mais.”
Já a investigação conduzida pela Polícia Civil ou Polícia Federal, conforme o caso, tem como objetivo apurar eventuais responsabilidades.
“Isso fica a cargo da Polícia Civil, da polícia judiciária, que vai realmente investigar se alguém tem culpa nisso e levar ao Poder Judiciário.”
Carlos Nascimento também explicou que uma aeronave apresenta um plano de voo antes da decolagem, permitindo que o órgão de controle tenha informações sobre a origem, o destino e a rota prevista.
Caso o contato seja perdido, são feitas tentativas para verificar se houve uma falha de comunicação ou se a aeronave chegou ao destino.
Quando isso não é confirmado, é acionada uma rede de busca e salvamento, envolvendo órgãos de controle e forças de segurança.
“É acionado o órgão de busca e salvamento, contactado também com as forças de segurança, com a Polícia Militar, com o Corpo de Bombeiros, com a Polícia Civil e com pessoas ali da localidade.”
O comandante destacou que o objetivo é reunir informações até que seja possível localizar a aeronave e entender o que ocorreu.
O cantor Rick da dupla com Renner, morreu aos 59 anos após a queda de um helicóptero na Serra Catarinense. A aeronave havia partido de Porto Belo com destino a São Joaquim na segunda-feira (21).
Durante o trajeto, o helicóptero perdeu contato. Os destroços foram encontrados na terça-feira (22), em Urubici, na Serra de Santa Catarina.
Não houve sobreviventes.

A morte ocorreu no ano em que Rick celebrava quatro décadas de carreira ao lado de Renner.
Ao longo da trajetória, a dupla se consolidou na música sertaneja e marcou gerações com seus trabalhos.
Rick deixa a esposa, Geralda Helena, além de filhos e netos.