terça-feira, 13 de outubro de 2026
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Jesuíno, o cão cangaceiro
9 de outubro de 2026 06:49
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E não se trata do Jesuíno Alves Calado, o famigerado cangaceiro Jesuíno Brilhante, nascido no Século XIX, na cidade de Patu-RN, no ano de 1844, conhecido como “Robin hood” do sertão, justamente por roubar dos coronéis, da época, alimentos, que eles desviavam dos comboios do governo, alimentos esses que atenderiam os flagelados da seca e, assim, entrega tais suprimentos aos pobres necessitados.

Não se trata desse cangaceiro romântico, que adentrou ao mundo do crime aos 25 anos de idade em decorrência de desavenças e brigas familiares cingindo a honra de seu irmão. Esse Jesuíno morreu em 21 de novembro de 1879 em Belém do Brejo do Cruz, Paraíba.

Trata-se de outro Jesuíno e a história aconteceu no Século XXI na cidade de João Pessoa-PB.

Adotado por Rubens, amigo dos meus filhos, o cangaceiro chegou ainda filhote e logo foi batizado de Jesuíno. Cara feia, abusado, agitado, perturbador, agressivo, perverso, logo, impôs medo aos moradores da casa, os quais passados alguns dias formularam o pensamento de cancelar a adoção. Mas um dos filhos se engraçou do peste e, fincou posição, não permitindo que Jesuíno fosse embora.

O danado foi crescendo e, cada vez mais, não respeitava ninguém, partia para cima de quem quer que fosse. Um verdadeiro terror se instalou naquele lar, que antes só conhecia o sossego. Então, resolveram trancar Jesuíno em um ambiente cercado de grades, onde ali passou a ficar durante o dia isolado, só vindo a sair no período noturno.

Cada dia e mês que se passava Jesuíno ficava mais feroz e temido.

Alguns da casa pedia para que fossem reforçadas as grades, pois o cangaceiro sacudia-se nelas, balançando-as firmemente. Sua fama ganhou o mundo e, não só os que residiam na casa passaram a ter mais medo de Jesuíno, como também àqueles visitam o aludido imóvel.

Subestimaram o cangaceiro! Certo dia Jesuíno amanheceu muito enfurecido. Levaram alimentos e o acalmaram. No entanto, naquele dia os filhos adolescentes dos donos da casa, resolveram fazer um churrasco para alguns amigos.

Organizado a festa, postaram a churrasqueira próxima ao habitat do cangaceiro. Muita bebida, conversa animada, o som nas alturas tocando música eletrônica e a fumaça migrando para o nariz de Jesuíno.

Um dos visitantes percebeu que o cangaceiro estava bastante agitado, mas foi acalmado pelo pessoal da casa.

No entanto, a fumaça e o barulho deixava o cangaceiro cada vez mais impetuoso, incomodado, agressivo e furioso. O cabra da peste possuía uma força escomunal. E no ápice de sua irritação, conseguiu derrubar as grades, partiu para o lado onde estava a churrasqueira. O churrasqueiro apavorado, gritou e correu, derrubando churrasqueira, caindo brasa e carne para todos os lados.

Foi um Deus nos acuda. Ninguém sabia para onde correr e no meio do tumulto, uns caíram, outros se chocaram, até que que o pessoal da casa, desesperadamente, gritou: “Corram, salvem-se, pois o cangaceiro é veloz e mortal!”.

Alguns conseguiram sair da área de lazer e adentraram na sala da casa, fechando a porta. Outros subiram no teto de dos dois veículos estacionados no terraço. Uns correram para o muro frontal do imóvel, conseguindo pular o dito muro, sairão em disparada pela rua.

Contudo, dois visitantes não tiveram a mesma sorte. Um deles ao tentar pular o muro, escorregou e caiu. Jesuíno não perdoou, partiu para cima e, com tamanha agressividade arrancou parte da sua orelha. O cabra era perverso. Gostava de sangue. Mas, o cangaceiro logo percebeu que outro visitante estava encontrando dificuldade para escalar o muro. O bicho era danado. Soltou a orelha no chão e com restos da orelha pelos, a boca repleta de sangue, correu em direção ao muro. Forte e musculoso como era, logo pulou e conseguiu alcançar o calcanhar do cidadão, trazendo no movimento uma parte do mesmo em seus dentes.

O visitante aos gritos conseguiu se desvencilhar e pular o muro, fugindo da morte. O da orelha, correu para dentro da casa, salvando-se da sanha sanguinária de Jesuíno.

Trancados em casa, apavorados e atônitos, resolveram ligar pedindo socorro aos homens da volante, que logo chegaram e conseguiram prender o Cangaceiro.

Ou Pitbull dos seiscentos diabos, o cangaceiro Jesuíno.

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