segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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CNJ vota regras mais rígidas para conflitos de interesse de juízes
Proposta de Edson Fachin prevê controle sobre vínculos familiares, eventos financiados por empresas, presentes e atividades privadas de magistrados
3 de agosto de 2026 14:46
Redação - Redação
Edson Fachin (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vota, nesta terça-feira (4), uma proposta de resolução para ampliar o controle sobre possíveis conflitos de interesses envolvendo juízes em todo o Brasil. A medida foi apresentada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, ministro Edson Fachin.

O texto estabelece regras para a participação de magistrados em eventos financiados por empresas, o recebimento de presentes e o monitoramento de vínculos familiares e profissionais que possam comprometer a imparcialidade.

Se aprovada, a resolução será aplicada aos tribunais de todo o país, incluindo os Tribunais Superiores. A única exceção será o próprio STF, que não é subordinado ao Conselho. A proposta tem como base uma nota técnica elaborada pelo Observatório Nacional da Integridade e Transparência do Poder Judiciário (Onit).

A medida prevê que as Cortes tenham até seis meses para implementar integralmente mecanismos de identificação e prevenção de conflitos de interesse.

Plataforma de Transparência

Entre as medidas previstas está a criação de uma Plataforma de Transparência, na qual os magistrados deverão declarar formalmente interesses relevantes e eventual exercício de atividades privadas.

A proposta também estabelece um canal confidencial para aconselhamento ético de juízes e determina que os tribunais façam um mapeamento preventivo de vínculos.

O levantamento deverá incluir relações familiares e profissionais que possam gerar suspeição, com atenção a possíveis ligações com fornecedores dos tribunais e empresas que tenham grande quantidade de processos em tramitação.

Eventos financiados por empresas

A proposta também estabelece novas regras para a participação de magistrados em congressos, seminários e atividades acadêmicas custeadas por empresas.

As Cortes deverão verificar previamente se a entidade responsável pelo financiamento é parte em processos que estejam sob a jurisdição do juiz convidado.

Os tribunais também deverão analisar se os valores pagos por terceiros são razoáveis, incluindo despesas com viagens e hospedagem, e se o custeio pode comprometer a percepção pública sobre a imparcialidade do magistrado.

Presentes e cortesias

O recebimento de presentes, brindes, hospitalidades e cortesias também deverá passar por avaliação objetiva dos tribunais.

A análise será baseada nos princípios constitucionais da prudência e da impessoalidade, deixando de ser uma decisão exclusivamente pessoal do magistrado.

A proposta será analisada pelo plenário do CNJ nesta terça-feira (4/8).

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