terça-feira, 20 de outubro de 2026
publicidade
Campanha de Lula vai pedir cassação de chapa de Flávio por ‘manipulação’ da Meta
Ação no TSE aponta possível favorecimento ao candidato do PL nas redes sociais e questiona sistemas de recomendação e ferramentas de inteligência artificial
20 de outubro de 2026 12:07
Redação
Flávio Bolsonaro durante o debate na Band (Foto: Renato Pizzutto/Band)

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a cassação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) por suposta manipulação algorítmica nas redes sociais da Meta. A iniciativa foi definida nesta segunda-feira (19), e o protocolo da ação está previsto para esta terça-feira (20).

A acusação sustenta que sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial (IA) e mecanismos de revisão de anúncios das plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp teriam operado em benefício de Flávio Bolsonaro. A Meta nega interferência no processo eleitoral e favorecimento ao candidato.

A medida será apresentada por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), que aponta suposto uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico. A campanha petista também solicita informações sobre o funcionamento dos algoritmos e acesso a mensagens internas da empresa.

Campanha aponta diferenças no alcance das publicações

Um dos argumentos apresentados pelos advogados de Lula envolve diferenças no desempenho das publicações dos dois candidatos nas redes sociais. A ação cita dados sobre seguidores, curtidas, comentários e visualizações de vídeos.

Segundo o advogado Luiz Eduardo Peccinin, responsável pela assinatura da ação, Flávio Bolsonaro teria menos seguidores, mas alcançaria índices superiores de engajamento.

“Embora o perfil [de Flávio] tenha 17,2% menos seguidores [13.606.146 contra 16.436.220], sua média de curtidas e comentários por publicação é 2,96 vezes maior; nos Reels, as visualizações médias chegam a 15,64 milhões, contra 5,91 milhões; e, normalizada pela base de seguidores, a taxa de interação é de 10,23% contra 2,86% — 3,58 vezes maior”, exemplifica o advogado.

A campanha considera que essas diferenças podem indicar uma amplificação algorítmica em favor do candidato do PL. A acusação, contudo, ainda será submetida à análise da Justiça Eleitoral.

Ação também cita Nikolas Ferreira e ferramentas de inteligência artificial

A iniciativa menciona o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), apontado pela campanha de Lula como um dos principais apoiadores de Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

Segundo a ação, conteúdos publicados pelo parlamentar apresentariam uma amplificação algorítmica considerada atípica. Como exemplo, o documento cita um vídeo divulgado em duas plataformas, que registrou 396,4 mil visualizações no TikTok e 56,1 milhões no Instagram.

O processo também menciona ferramentas de inteligência artificial generativa da Meta e o Grok, sistema de IA da plataforma X, antigo Twitter.

De acordo com a acusação, essas ferramentas teriam gerado imagens e propagandas relacionadas a Flávio Bolsonaro, mas se recusado a produzir conteúdos semelhantes envolvendo Lula.

Mensagens internas da Meta entram na contestação

A ação faz referência a mensagens internas trocadas por funcionários da Meta. Segundo a campanha petista, os registros indicariam que restrições aos anúncios eleitorais de Lula prejudicaram a divulgação de seus conteúdos.

Por outro lado, os advogados afirmam que canais e perfis de Flávio Bolsonaro teriam recebido recomendações algorítmicas e maior alcance em comparação com os de Lula.

A campanha pede que o TSE obtenha informações sobre os mecanismos de distribuição de conteúdo e tenha acesso às comunicações internas da empresa para aprofundar a apuração.

TSE já adotou medidas sobre o alcance de conteúdos eleitorais

A iniciativa ocorre após decisões recentes do Tribunal Superior Eleitoral envolvendo a atuação das plataformas digitais durante a campanha.

Em 15 de outubro, o TSE proibiu a Meta de limitar o alcance de conteúdos relacionados a Lula ou Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira (19), o tribunal também solicitou explicações à empresa sobre o alcance das publicações dos dois candidatos, com prazo de 24 horas.

As medidas anteriores tratam da distribuição de conteúdos eleitorais e do funcionamento das plataformas. O pedido de cassação apresentado pela campanha de Lula ainda deverá ser analisado pela Justiça Eleitoral.

Meta nega favorecimento a Flávio Bolsonaro

Em manifestação divulgada na sexta-feira (16), a Meta classificou como falsas as alegações de interferência nas eleições brasileiras e negou favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.

A empresa afirmou que os problemas relatados envolvendo o engajamento e os canais dos candidatos tiveram “causas distintas”.

Sobre as ferramentas de inteligência artificial generativa, a Meta informou que suspendeu temporariamente a geração de imagens de candidatos para cumprir as regras eleitorais brasileiras.

A companhia acrescentou que reforçou as restrições para impedir que comandos utilizando apenas o primeiro nome dos candidatos e seus números nas urnas também produzam imagens.

Resumo da Notícia

  • A campanha de Lula pretende pedir ao TSE a cassação da campanha de Flávio Bolsonaro por suposta manipulação algorítmica.
  • A ação será protocolada nesta terça-feira (20) e aponta possível uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder econômico.
  • Os advogados citam diferenças de engajamento, alcance de publicações e atuação de ferramentas de inteligência artificial.
  • Nikolas Ferreira também é mencionado na ação por suposta amplificação atípica de conteúdos nas redes sociais.
  • A Meta nega interferência eleitoral e afirma que os problemas relatados tiveram causas distintas.
publicidade