


A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, protocolou nesta quarta-feira (26) duas ações no TSE contra Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). As medidas questionam falas dos candidatos durante o debate presidencial promovido pela Band no domingo (23), ao qual Lula não compareceu.
Segundo a equipe jurídica do petista, Caiado tentou associar Lula a investigações da Polícia Federal envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, por suposto tráfico de influência.
O candidato também teria buscado estabelecer uma relação entre o caso e a investigação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.
“O escândalo do filme Dark Horse, amplamente divulgado pela mídia, não guarda qualquer tipo de vínculo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não obstante, o representado utiliza-se de um trocadilho para criar uma falsa associação e, consequentemente, confundir o eleitorado”, disse a equipe jurídica na peça.
Durante o mesmo debate, Renan Santos chamou Lula de “bêbado” e “ladrão”, entre outros xingamentos.
O candidato também sugeriu que o presidente teria companhias melhores do que a da primeira-dama Janja da Silva.
Após as declarações, Janja divulgou uma nota repudiando as falas. A primeira-dama classificou o episódio como um ato de misoginia.
Na ação, a equipe jurídica de Lula afirmou que as declarações ultrapassaram os limites do debate político.
“Inequívoca, assim, a manobra perpetrada pelo candidato e pelo partido político para, extrapola os limites do debate político legítimo, atingir a honra e a reputação de Luiz Inácio Lula da Silva na medida em que lhe foram dirigidas imputações, imputações essas depois replicadas nas redes sociais, que consistem em calúnia, em difamação e em injúria”, afirmou a equipe de Lula.
As ações protocoladas pela campanha de Lula também pedem que conteúdos produzidos pelas equipes de Caiado e Renan Santos com base nos vídeos do debate sejam retirados do ar.
Além disso, a campanha solicita que os dois candidatos sejam multados em R$ 30 mil pelos conteúdos questionados.
Em nota enviada à imprensa, Renan Santos reiterou as declarações feitas durante o debate.
Segundo o candidato, as falas se tratam de “críticas políticas dirigidas a figuras públicas e à atuação do atual governo, plenamente inseridas no debate eleitoral”.
“Quem não tem altivez para suportar críticas não deveria disputar a Presidência da República, ou, no mínimo, deveria ter coragem para comparecer aos debates e defender a própria honra”, afirmou.
Renan também enfatizou que continuará mantendo as declarações que vêm sendo feitas.
Até a publicação desta reportagem, a equipe de Ronaldo Caiado ainda não havia se manifestado publicamente sobre as ações protocoladas pela campanha de Lula no TSE.