
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fim do fundo eleitoral e uma ampla reforma política após receber R$ 65.150.000,00 em repasses do PT Nacional para sua campanha. A declaração foi dada em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Arapuan/ Band, exibida neste domingo (27).
“Vai mudar quando a gente fizer uma reforma política nesse país, que precisa ser feita para criar partido sério, partido que tenha manifesto, partido que tenha compromisso com a sociedade, partido que tenha bandeira, partido que tenha programa e partido que tenha um comportamento ético”, afirmou Lula.
Segundo o presidente, mudanças nas regras do sistema político atingem diretamente interesses de parlamentares e partidos, o que, na avaliação dele, dificulta a aprovação de alterações estruturais.
“Quando se trata da reforma política, você está mexendo com o interesse pessoal de cada deputado, de cada partido político. Não é possível a gente continuar com a promiscuidade política do jeito que está”, declarou.
Lula também defendeu mudanças na relação entre partidos e representação política. Para ele, a polarização poderia diminuir quando as legendas passassem a representar de forma mais clara diferentes setores da sociedade.
“Se eu não fizer, ninguém faz. A gente vai acabar com a polarização quando os partidos representarem, de fato, os lados da sociedade”, afirmou.
Ao falar sobre o papel dos partidos, Lula citou o PT como exemplo de legenda que, segundo ele, possui programa, manifesto e bandeiras definidos.
“O que representa a maioria dos partidos? Quantos partidos você tem de caráter nacional, que tem programa, que tem manifesto, que tem bandeira? Só o PT”, disse.
Lula também criticou o uso dos recursos destinados ao financiamento das campanhas e afirmou que mudou de posição em relação aos fundos partidário e eleitoral.
“Eu que fui defensor do fundo partidário, eu que fui defensor do fundo eleitoral, hoje eu sou contra. Eu sou contra porque isso apodreceu a política”, declarou.
O presidente também citou o chamado orçamento secreto ao criticar o modelo de financiamento e funcionamento da política brasileira.
“Mais o orçamento secreto, aí que apodreceu de vez a política. Na hora de votar o deputado pensa nele primeiro, ele pensa no mundo dele”, afirmou.
No contexto do financiamento da campanha, Lula recebeu R$ 65.150.000,00 em recursos repassados pelo PT Nacional, conforme os dados de financiamento eleitoral informados no texto.
O valor corresponde a recursos destinados pelo diretório nacional do partido à campanha de Lula e integra a movimentação financeira registrada para a disputa eleitoral.
A informação sobre o repasse é apresentada separadamente das declarações do candidato sobre o fundo eleitoral e não altera o conteúdo das críticas feitas por Lula ao atual modelo de financiamento político.
Lula afirmou que uma reforma política deveria criar partidos com programas e posições mais claramente definidos.
“É preciso a gente acabar com essa história que está acontecendo na política, que é uma promiscuidade generalizada na política. A hora que a gente acabar com isso, se tiver uma reforma política digna, a gente vai ter a política outra vez sadia para o povo brasileiro”, declarou.
O presidente também criticou o volume de recursos públicos administrados pelo Congresso Nacional e defendeu mudanças no modelo atual.
“Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União. Não é possível. Então, tudo isso vai ter que mudar”, afirmou.
A entrevista completa foi exibida às 20h na BandNews TV, na BandNews FM, na Rádio Bandeirantes, no Band.com.br e no canal Band Jornalismo no YouTube.
Mais tarde, às 22h, a transmissão foi realizada na tela da Band e no Bandplay.
Participaram do programa os jornalistas Fernando Mitre, Rodolfo Schneider, Adriana Araújo e Eduardo Oinegue.