
O advogado José Lucas comentou, nesta quinta-feira (3), durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM, a crise institucional no Judiciário brasileiro, especialmente em relação à atuação da mais alta Corte do país. Para o especialista, parte do cenário está relacionada à insatisfação da população com determinadas decisões tomadas pelos tribunais.
Segundo José Lucas, embora muitas vezes a análise popular não esteja baseada em fatos e fundamentos jurídicos efetivos, não é possível ignorar a existência de um certo descrédito da população em relação ao Judiciário.
“Essa crise do Judiciário vem muito de uma insatisfação da própria população com algumas decisões que os tribunais tomam e que, por várias razões, a população pode até não concordar com essa decisão”, afirmou.
O advogado também destacou que acontecimentos recentes contribuíram para ampliar a insatisfação e o sentimento de crise institucional. Apesar disso, afirmou manter a confiança no Estado Democrático de Direito e no próprio sistema de Justiça para buscar respostas para os problemas apontados.
José Lucas avaliou que cabe ao próprio sistema de Justiça analisar as denúncias e realizar uma apuração aprofundada dos casos. Para ele, a população deve cobrar que as investigações sejam conduzidas, evitando antecipações de julgamentos.
“O papel da população, de fato, é cobrar que haja esse aprofundamento das investigações”, declarou.
Na avaliação do advogado, a resposta para a crise deve partir do próprio sistema de Justiça, com base no que é estabelecido pelo sistema de freios e contrapesos.
“Então, o próprio organograma social tem que dar essa resposta nossa; ela não pode vir uma resposta de fora, tem que vir uma solução de dentro para fora”, afirmou.
Durante a entrevista, José Lucas também comentou a polarização política que, segundo ele, acabou alcançando o Judiciário e contribuindo para dividir o país.
Para o advogado, uma das consequências desse cenário é a contaminação dos debates, que deixam de ser conduzidos com racionalidade e fundamentos técnicos e passam a ser influenciados por preferências políticas.
“Essa polarização que vem dividindo nosso país traz várias consequências deletérias. Uma dessas consequências é justamente a contaminação de debates”, afirmou.
O especialista defendeu que a população acompanhe de perto os acontecimentos e os dados relacionados às investigações, mas ressaltou que esse acompanhamento não deve transformar a apuração em uma disputa política.
“Eu acredito que há a necessidade de a população acompanhar, e acompanhar de perto, esses dados, mas nós não podemos fazer dessa apuração um ringue de batalha política”, disse.