
O aparecimento do caracol-gigante-africano aumenta durante o período chuvoso. A água encharca o solo e faz com que os animais deixem esconderijos sob folhas, pedras, entulhos e telhas. A espécie, cujo nome científico é Lissachatina fulica, é exótica e invasora. Ela foi introduzida no Brasil para criação como escargot, mas sua reprodução e comercialização estão proibidas.
Segundo o biólogo Francisco José Pegado Abílio, professor da Universidade Federal da Paraíba, a identificação correta é fundamental. Moluscos nativos podem ser mortos por engano durante tentativas de controle.
O caracol pode hospedar vermes causadores da angiostrongilíase abdominal e da meningite eosinofílica. Entretanto, encontrar um exemplar não significa que ele esteja infectado. A contaminação humana ocorre principalmente pela ingestão acidental de larvas presentes no molusco ou em alimentos contaminados pelo muco. Por isso, verduras e frutas devem ser cuidadosamente lavadas antes do consumo.
Embora o simples contato com a pele não seja apontado como a principal forma de infecção, crianças e animais domésticos não devem brincar ou tocar nos caracóis. Após qualquer contato, as mãos precisam ser higienizadas.
A coleta nunca deve ser realizada com as mãos desprotegidas. A orientação é utilizar luvas resistentes ou sacos plásticos, evitando o contato direto com o animal e sua secreção.
O uso de sal, cal, detergente ou outros produtos químicos não é recomendado. Essas substâncias podem contaminar o solo, prejudicar outros animais e não resolver completamente a infestação.
Como os procedimentos de eliminação e descarte podem variar entre os municípios, o mais seguro é procurar a Vigilância Ambiental, o Centro de Zoonoses ou a Secretaria Municipal de Saúde.
Órgãos sanitários orientam que as conchas sejam quebradas durante o manejo adequado, evitando o acúmulo de água e a formação de criadouros de mosquitos. A incineração só deve ocorrer em ambiente apropriado e conforme orientação oficial.
Quintais e terrenos devem permanecer limpos, sem acúmulo de folhas, restos de madeira, telhas, lixo ou entulho. Esses materiais oferecem abrigo e favorecem a reprodução da espécie.
O caracol possui grande capacidade reprodutiva e seus ovos também precisam ser recolhidos com proteção. A inspeção deve ser reforçada após chuvas, quando os animais ficam mais visíveis.