
A Polícia Civil da Paraíba, com apoio da Polícia Militar, deflagrou a terceira fase de uma operação contra um grupo criminoso que atuava na Zona Sul de João Pessoa. Nesta quarta-feira (9), duas prisões foram cumpridas durante a nova etapa da investigação.
Segundo o delegado Lucas Sá, as investigações começaram após o roubo a um depósito de gás em Mangabeira. A partir das primeiras identificações, os policiais avançaram nas diligências e chegaram a outros integrantes do grupo.
“Tudo começou com o roubo no depósito de gás, em Mangabeira. Contamos com o apoio inicial da Força Tática, os primeiros membros foram identificados e, a cada dia, a gente continuava as diligências, identificando novos membros desse grupo”, explicou o delegado.
De acordo com Lucas Sá, a investigação também contou com informações repassadas por moradores de um condomínio no Gramame, que, segundo a polícia, estaria sendo utilizado pelo grupo.
“Contamos com o apoio dos próprios moradores de um condomínio aqui no Gramame, que estava sendo dominado por essa facção. Chegou ao ponto de alguns membros utilizarem drogas na frente de crianças do condomínio, exibirem armas”, relatou.
Durante a segunda fase da operação, realizada em 26 de agosto, quatro pessoas foram presas. Segundo o delegado, alguns dos detidos forneceram informações que ajudaram os investigadores a identificar outros integrantes considerados importantes para o grupo.
“Na segunda fase prendemos mais quatro pessoas. Algumas das pessoas que foram presas colaboraram dando nomes de membros importantes nesse grupo”, afirmou Lucas Sá.
Com os novos dados, a Polícia Civil conseguiu identificar um dos líderes do grupo. No entanto, ele não estava mais no condomínio quando os policiais chegaram para cumprir os mandados.
“Quando a gente foi cumprir alguns mandados de prisão hoje, duas pessoas não estavam mais. Já abandonaram os apartamentos desde a última fase da operação, mas estão com a prisão decretada”, disse.
Um dos procurados, conhecido como “Argentino”, é apontado como uma pessoa importante dentro da organização.
“Ele é uma pessoa muito importante, perigosa e líder desse grupo criminoso”, declarou o delegado.
A polícia pede que informações sobre o paradeiro dos foragidos sejam encaminhadas pelo Disque-Denúncia.
Um dos principais avanços da terceira fase foi a identificação de pelo menos sete roubos praticados pelo grupo durante o mês de agosto.
Segundo Lucas Sá, os crimes tinham um ponto em comum: a participação de um prestador de serviços que trabalhava com entrega de gás.
“Todos eles com um fator em comum, que era um prestador de serviços que trabalhava, inclusive roubou a própria empresa que ele trabalhava, um depósito de gás”, explicou.
Ainda conforme o delegado, esse funcionário também teria fornecido informações utilizadas pelo grupo para cometer outros crimes.
“Esse mesmo prestador forneceu gás a várias vítimas desse grupo criminoso”, afirmou.
O suspeito já estava preso por porte ilegal de arma havia cerca de um mês e, agora, também é apontado nas investigações como responsável por repassar informações aos criminosos.
Diante da forma como os crimes teriam sido praticados, a Polícia Civil orienta a população a ter atenção ao receber prestadores de serviços em residências e estabelecimentos.
“A gente sabe que esse tipo de serviço muitas vezes é praticado e acaba desenvolvendo até um certo grau de confiança nessas pessoas. Mas é importante sempre se assegurar com a empresa que você compra, pedir os dados dessas pessoas, sempre tentar se precaver”, orientou Lucas Sá.
Segundo ele, foram justamente informações obtidas por meio desse tipo de contato que teriam sido utilizadas para a prática dos roubos.
Duas prisões foram cumpridas durante a terceira fase.
Um dos presos é o ex-funcionário responsável por entregas de gás em comércios da Zona Sul. Conforme a investigação, ele teria repassado informações ao grupo criminoso.
O segundo preso é apontado como integrante da organização que atuava no tráfico de drogas dentro do condomínio.
“Os executores, a maioria já foi presa nas duas fases anteriores”, afirmou o delegado.
Ainda segundo Lucas Sá, dois suspeitos apontados como executores permanecem foragidos. Um deles seria do Acre, enquanto o outro, segundo a investigação, seria de Pernambuco.
“Estamos em contato com a Polícia Civil de outros estados também. Passamos essas informações, eles estão com a prisão preventiva decretada e a gente espera que em breve sejam presos”, disse.
As investigações também apontaram que integrantes do grupo estariam tentando dominar o condomínio onde vários suspeitos foram identificados.
Segundo o delegado, além da presença de criminosos, foram registradas pichações e outros sinais de intimidação contra os moradores.
“São vários membros no mesmo condomínio, inclusive pichações também estão fazendo, estão tentando ali dominar aquele condomínio, aterrorizando os demais moradores”, afirmou.
Lucas Sá destacou que a colaboração dos moradores foi importante para o avanço da investigação.
“De todas as pessoas que foram levantadas, que a própria população, os moradores repassaram essas informações para a Polícia Civil, ou foram presas ou fugiram do condomínio”, explicou.
Ainda conforme o delegado, nenhum dos suspeitos identificados pela investigação permanece no local.
“De todas as pessoas que a gente tinha identificado, não tem mais ninguém naquele condomínio. A gente espera que agora aquela grande parte da população ali, que é de trabalhador, pessoas honestas, tenham um pouco de paz”, declarou.
Ao todo, a investigação identificou 20 pessoas que teriam algum tipo de envolvimento com o grupo criminoso.
Segundo Lucas Sá, a Polícia Civil conseguiu montar um organograma da organização, dividido em diferentes funções.
“Tem dois líderes que são pessoas indicadas como os responsáveis por ordenar esses roubos”, explicou.
De acordo com o delegado, os roubos teriam como objetivo levantar dinheiro para a própria facção.
“Os roubos teriam sido praticados para que fosse levantado dinheiro para a facção, para que fossem obtidos valores a serem empregados na facção, seja para a compra de armas, para investir em outros crimes de drogas”, afirmou.
Além dos líderes, a investigação identificou os responsáveis pela execução dos assaltos e os chamados informantes.
“Identificamos os responsáveis pela execução desses roubos, os informantes desse grupo que repassaram essas informações e tem também o terceiro nível, que são as pessoas que atuavam ali na logística da organização criminosa”, detalhou.
Ainda segundo o delegado, esse terceiro grupo teria funções como fornecer materiais utilizados nos crimes ou ceder contas.
Por isso, os investigados deverão responder, segundo a Polícia Civil, não apenas pelos roubos, mas também pelo crime de organização criminosa.
A terceira fase é considerada pela Polícia Civil, neste momento, como a fase final da investigação.
Segundo Lucas Sá, o próximo passo será concluir o inquérito, elaborar o relatório e definir os indiciamentos.
“Entendemos que será, pelo menos nesse início aqui, a fase final para o inquérito seja concluído, seja relatado e as pessoas sejam indiciadas”, afirmou.
O delegado destacou ainda que a investigação durou aproximadamente um mês de diligências e foi considerada complexa pela equipe policial.