terça-feira, 22 de setembro de 2026
publicidade
Na ONU, Lula diz que Brasil ‘não cabe no quintal de ninguém’
Declaração ocorreu durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU
22 de setembro de 2026 11:56
Redação
Presidente Lula da Silva (Foto: Imagem meramente ilustrativa / Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta terça-feira (22), a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos. A declaração ocorreu durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU.

“Esta Assembleia […] agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, “a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”. Lula acrescentou, porém, que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e precisa de parceiros com agenda positiva para fomentar o desenvolvimento.

“Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, prosseguiu.

Lula também afirmou que o Brasil não permitirá interferências na vontade popular.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano.”

Tensão entre Brasil e Estados Unidos

A fala de Lula ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. As relações entre os dois países estão atravessadas pelo cenário eleitoral, em meio à reta final da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro.

Lula disputa a Presidência da República com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em maio, o parlamentar foi recebido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, durante uma viagem aos Estados Unidos.

Interferência externa e tarifas

Lula e integrantes do governo têm demonstrado preocupação com uma eventual interferência externa no processo eleitoral, especialmente por parte dos Estados Unidos.

A posição defendida pelo governo é de que a escolha do próximo presidente cabe exclusivamente aos brasileiros.

Além disso, o governo de Donald Trump impôs tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A medida é contestada pelo governo Lula e também foi criticada pelo petista durante o discurso.

“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, declarou o presidente.

Assembleia Geral reúne 193 países

A Assembleia Geral da ONU é o principal órgão deliberativo das Nações Unidas. O encontro reúne representantes dos 193 Estados-membros.

Durante o debate geral, chefes de Estado e de governo apresentam suas posições e prioridades diante dos principais temas internacionais.

Por tradição, o Brasil abre os discursos do debate geral. A prática é mantida desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Outros temas abordados por Lula

Durante o discurso, o presidente também tratou de segurança, inteligência artificial, PIX, comércio internacional, multilateralismo e conflitos globais.

  • Combate ao crime organizado: “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, afirmou Lula.
  • Inteligência artificial e redes digitais: Lula criticou “tecno-oligarcas” que promovem uma corrida digital “sem freios éticos à revelia da ONU” e defendeu a regulamentação das plataformas.
  • Defesa do PIX: “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX”, declarou o presidente.
  • Tarifas e comércio internacional: afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) “respira por aparelhos” e criticou governos que capitulam diante dos que usam tarifas como “armas de coerção e chantagem”.
  • Defesa do multilateralismo e paz: cobrou reformas no Conselho de Segurança da ONU e defendeu a via diplomática para os conflitos globais.

Meio ambiente

Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil tem condições de conciliar desenvolvimento econômico, redução de emissões e preservação.

O presidente destacou a queda do desmatamento na Amazônia, que atingiu o menor nível em 11 anos. Também disse que o país é referência em energia limpa e reafirmou que “a floresta vale mais em pé do que destruída”.

Ao mesmo tempo, afirmou que o governo seguirá buscando explorar recursos naturais, como os da Margem Equatorial e as terras raras necessárias à transição energética.

Segundo Lula, a exploração ocorrerá sem abandonar a agenda ambiental e o processo de descarbonização.

“Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”, concluiu Lula.

Resumo da Notícia

  • Lula defende a soberania dos países durante discurso na Assembleia Geral da ONU.
  • Presidente afirma que o Brasil não permitirá interferência externa na democracia.
  • Governo brasileiro contesta tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.
  • Discurso aborda crime organizado, inteligência artificial, PIX, comércio e paz.
  • Lula destaca preservação ambiental e exploração de recursos estratégicos brasileiros.
publicidade