
A coordenadora de projetos Andressa Miyazaki Limpias, de 33 anos, viralizou nas redes sociais após realizar uma festa para comemorar a retirada do útero. Andressa passou por uma histerectomia, cirurgia que remove o órgão, depois de anos enfrentando cólicas incapacitantes, sangramentos prolongados e diferentes tratamentos.
Para ela, a operação representou alívio e a recuperação da qualidade de vida. Por isso, decidiu transformar o momento em uma comemoração.
A celebração, chamada por Andressa de “despedida de útero”, reuniu amigos, pizza e lembranças relacionadas ao período de tratamento.
A festa também teve uma piñata em formato de útero, produzida à mão pela própria coordenadora.
Entre as lembrancinhas estavam absorventes que ela não precisaria mais utilizar após a cirurgia.
O vídeo da comemoração ganhou repercussão nas redes sociais e provocou relatos de outras mulheres que enfrentam problemas semelhantes.
Andressa começou a sofrer com cólicas intensas e ciclos menstruais irregulares em 2021.
Os sangramentos chegavam a durar dez dias. Depois de procurar atendimento médico, ela descobriu um mioma dentro do útero.
A coordenadora passou por uma cirurgia menos invasiva para retirar o mioma. Entretanto, meses depois, as dores e os sangramentos voltaram.
Em seguida, foi identificado um novo mioma. Andressa começou, então, uma sequência de tratamentos para tentar controlar os sintomas.
Entre as alternativas testadas estavam diferentes terapias hormonais, pílulas anticoncepcionais e um dispositivo intrauterino, o DIU.
Segundo Andressa, um dos medicamentos provocou um sangramento que durou 53 dias. Outro tratamento teria resultado em aproximadamente 60 dias de sangramento.
Durante esse período, ela relata ter ficado próxima de desenvolver anemia e precisado receber uma transfusão de sangue.
A rotina também afetou a vida social e emocional da coordenadora. Ela tinha receio de sair de casa e manchar roupas, móveis ou cadeiras devido aos sangramentos inesperados.
Andressa afirmou que chegou a se isolar e ficou emocionalmente abalada com as tentativas frustradas de controlar o problema.
Depois de não conseguir melhorar com os tratamentos anteriores, Andressa e a médica responsável concluíram que a histerectomia seria a melhor opção para o caso. Ela explicou que não sofreu emocionalmente pela impossibilidade de engravidar, pois nunca desejou ter filhos biológicos.
O maior impacto, segundo Andressa, veio dos anos de dores, limitações e tratamentos malsucedidos. Ao compartilhar a celebração, Andressa pretendia demonstrar a felicidade pela melhora. Posteriormente, percebeu que sua história ajudou outras mulheres a enxergarem o procedimento de outra maneira.
A decisão pela retirada do útero, no entanto, é individual e deve ser tomada após avaliação médica, considerando o diagnóstico, os tratamentos disponíveis e as condições de cada paciente.