
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou uma nova denúncia contra o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, investigados na Operação Perfídus. Desta vez, o órgão acusa os três pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, além de pedir a perda definitiva dos cargos públicos e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
A denúncia, protocolada nessa segunda-feira (3), é a terceira apresentada pelo Ministério Público contra os investigados. As duas anteriores tratam, separadamente, do desvio de drogas e da invasão de residências, conforme informou o órgão.
Além dos três policiais, o Ministério Público também denunciou outros investigados apontados como integrantes do suposto esquema:
O Portal Arapuan deixa o espaço aberto para a manifestação dos citados nesta reportagem.
Na nova ação, o Gaeco, do Ministério Público da Paraíba, requer a condenação dos denunciados pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
O órgão também solicita à Justiça:
Segundo o Ministério Público, as medidas buscam reparar danos causados à moralidade administrativa, à segurança pública e à ordem social, além de desarticular o patrimônio supostamente obtido pela organização criminosa.
Esta é a terceira denúncia apresentada pelo Ministério Público no âmbito da Operação Perfídus.
Na primeira, Braz Morroni e os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge foram denunciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual, em razão do suposto desvio de drogas durante uma operação realizada em outubro de 2025.
Na ocasião, o Ministério Público também pediu a perda dos cargos públicos, a conversão das prisões temporárias em preventivas e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
De acordo com a investigação, os policiais recebiam informações sobre locais utilizados para armazenar entorpecentes, realizavam incursões para retirar parte da droga e registravam oficialmente apenas uma fração do material apreendido.
Para embasar as acusações, o Ministério Público informou ter reunido provas obtidas por meio da análise de celulares, dados de geolocalização da viatura utilizada, quebras de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento dos investigados, além de documentos e depoimentos.
Em 16 de junho, a Polícia Civil concluiu um dos inquéritos da Operação Perfídus e indiciou Braz Morroni, Everton Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”. A corporação também solicitou a conversão das prisões temporárias em preventivas.
Os três permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
Já Vanessa Dantas Fernandes, investigada por supostamente atuar na movimentação financeira do grupo, teve a prisão convertida em domiciliar. Ela cumpre medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com os demais investigados.
A Operação Perfídus apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.
Durante a ofensiva, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e ativos dos investigados.
Segundo a investigação, Everton Aires seria o operador central do esquema, fazendo a ligação entre policiais e traficantes. Já Eduardo Jorge é apontado como participante direto no desvio de drogas, monitoramento de carregamentos e ocultação de entorpecentes.
O delegado Braz Morroni, que atuava na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), também é apontado como integrante da organização investigada.
O nome da operação, Perfídus, faz referência à palavra latina que significa “traição” ou “deslealdade”, em alusão à conduta atribuída aos investigados.