
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou nesta segunda-feira (14) o segredo de Justiça de uma nova frente de investigação relacionada à rede de pagamentos ligada a Daniel Vorcaro e ao extinto Banco Master.
O pedido foi feito pelo presidente da Corte, Edson Fachin, após solicitação do ministro Alexandre de Moraes, que recebeu apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Moraes pediu a publicidade de mais um inquérito relacionado ao caso antes da sessão marcada para esta terça-feira (15). O plenário deve discutir se o tribunal irá aprofundar a apuração sobre a relação do ministro com o antigo controlador do Banco Master.
Segundo o STF, a Corte já tornou públicos 53 procedimentos de apuração envolvendo a instituição financeira, após requerimento de Fachin. A nova investigação trata especificamente de movimentações financeiras e da estrutura de pagamentos ligada ao grupo.
A nova frente busca esclarecer como funcionava a rede de pagamentos associada a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
A expectativa é que o documento apresente informações adicionais sobre operações realizadas pelo grupo e eventuais conexões com outros investigados.
“Trata-se de documento relevante para compreender a totalidade dos fatores”, afirmou a PGR em manifestação enviada ao STF.
A investigação ganhou novo capítulo na sexta-feira (11), quando a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF a retirada total do sigilo de todos os documentos do Caso Master.
Após a solicitação, Fachin determinou a liberação dos documentos e deu 24 horas para Mendonça retirar o sigilo do caso.
A medida ocorreu depois de Alexandre de Moraes acusar Mendonça de ter feito uma escolha seletiva dos documentos liberados. Moraes também havia pedido a retirada total do sigilo.
Além disso, o ministro Cristiano Zanin solicitou a Fachin acesso à íntegra da investigação que está sob responsabilidade de Mendonça.

A retirada do sigilo do Caso Master provocou repercussão no meio político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parlamentares e líderes do Congresso se manifestaram sobre a divulgação dos documentos.
Dentro do STF, a medida também aumentou a tensão entre os ministros envolvidos nas investigações.
Fachin foi pressionado a definir uma sessão para discutir, no tribunal, a situação dos magistrados citados no caso.
Com a abertura dos documentos, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos por Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados.
Entre os documentos divulgados está o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, que prevê honorários por serviços jurídicos.
Os relatórios também apontaram suspeitas envolvendo outros integrantes da Corte. Entre elas estão informações relacionadas ao ministro Dias Toffoli e a transações ligadas a fundos de investimento.
Em meio à crise, Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar caso sejam considerados culpados.
As investigações também apontaram a existência de uma estrutura de proteção e contrainteligência supostamente montada em favor de Daniel Vorcaro.
Segundo os relatórios, policiais teriam recebido pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.
As apurações indicam ainda que Vorcaro teria desconfiado de um veículo da PF e acionado milicianos para investigar agentes federais.
A PF também identificou uma possível atuação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em um caso que acabou envolvendo o PCC.
Os investigadores registraram ainda que o empresário teria conhecimento da operação policial e planejado uma fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais.
Segundo a investigação, ele teria contado com o apoio de uma servidora do Ministério Público Federal investigada por suposto vazamento de dados.


O mapeamento financeiro feito pelos peritos também revelou planilhas com gastos operacionais e estratégias de imagem relacionadas ao ex-controlador do Banco Master.
Os documentos apreendidos mostram despesas milionárias atribuídas a Vorcaro e um quadro com o fluxo de caixa do banco, onde foram identificadas movimentações consideradas suspeitas.
Para proteger a imagem da instituição e atacar críticos nas redes sociais, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de participar de uma campanha favorável a Vorcaro.
As apurações também identificaram movimentações envolvendo órgãos públicos, instituições financeiras e fundos de pensão.
Segundo as análises, integrantes da cúpula da supervisão do Banco Central teriam prestado consultoria a Vorcaro.
Além disso, instituições públicas teriam realizado aportes sem respaldo técnico adequado. Um dos casos citados envolve a AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.
Outro ponto investigado envolve o BRB, que teria transferido R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

Outra frente das investigações envolve o financiamento de uma produção cinematográfica e levou o deputado federal Flávio Bolsonaro a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse.
Relatórios apontam que Flávio teria se encontrado com Daniel Vorcaro antes da divulgação de um áudio relacionado ao filme.
Após a PF revelar o novo encontro, o parlamentar classificou as suspeitas como “mais do mesmo”.
Em outra investigação financeira no exterior, a PF apontou que Eduardo Bolsonaro teria orientado remessas de R$ 134 milhões para um fundo nos Estados Unidos.