domingo, 12 de julho de 2026
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Médicos alertam para riscos do uso da soroterapia
Aplicação intravenosa de vitaminas promete energia e rejuvenescimento, mas não tem comprovação científica e pode causar arritmia e lesão nos rins
11 de julho de 2026 17:00
Band.com.br ortal Arapuan, criação com apoio de IA
Especialistas ressaltam que se trata de procedimentos caros, geralmente voltados a fins estéticos. Foto: Portal Arapuan, criação com apoio de IA

Um soro anunciado como milagroso por clínicas e influenciadores é, para os médicos, propaganda enganosa e com riscos à saúde. Trata-se da soroterapia, tratamento que voltou a ganhar destaque nas redes sociais após a aplicação pela influenciadora Virginia Fonseca e pelo atacante Vinícius Júnior, ambos nos Estados Unidos.

A soroterapia consiste na aplicação de vitaminas, minerais e suplementação diretamente na veia do paciente. No Brasil, foi apelidada de “soro da beleza” ou “soro da imunidade” e é divulgada com uma série de promessas: melhora da insônia e da aparência, mais energia e menos estresse. O procedimento virou moda com a ajuda de influenciadores, mas os especialistas contestam os benefícios anunciados.

Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez Duarte, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), há uma diferença importante entre a aplicação feita no exterior e a que se popularizou por aqui. “Particularmente nos Estados Unidos, aqueles estabelecimentos de infusão, onde se colocam quantidades muito pequenas de nutrientes, se faz lá nesses estabelecimentos, mas aqui no Brasil eles não só não devem como eles não podem existir”, afirma.

No país, a aplicação intravenosa de nutrientes só é permitida em casos específicos — como pacientes que passaram por cirurgia e têm dificuldade de absorver nutrientes — e sempre em ambiente hospitalar. As clínicas que oferecem o “soro da beleza” para fins estéticos são consideradas irregulares. É justamente essa distinção que separa a soroterapia estética da suplementação injetável, esta permitida e indicada apenas em situações médicas definidas.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) afirma que fiscaliza e pune médicos que realizam esse tipo de aplicação. Segundo o diretor de comunicação do órgão, Alexandre Kataoka, as sanções podem ser severas.

“O médico que tá aplicando, que tá prescrevendo e que também é o responsável técnico dessa clínica pode sofrer sanções, e que pode ser desde uma censura confidencial até mesmo a cassação do exercício profissional”, diz.

A repercussão do uso da soroterapia por Virginia e Vinícius Júnior tomou conta das páginas de celebridades. A própria influenciadora relatou ter feito a aplicação em meio a um período de cansaço e gripe: no soro, segundo ela, havia vitamina B12 e vitamina C.

Entidades médicas, no entanto, reforçam a ausência de evidências. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a soroterapia não conta com comprovação clínico-científica consistente de segurança e eficácia, e a reposição de vitaminas só é recomendada em casos de deficiência, quando não há melhora pela via oral.

Especialistas ressaltam que se trata de procedimentos caros, geralmente voltados a fins estéticos, emagrecimento, rejuvenescimento ou “detox”, e que não podem se popularizar sem acompanhamento e orientação médica.

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