quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Justiça torna delegado e agentes réus por organização criminosa na PB
Decisão abre ação penal contra oito investigados; sete permanecem presos preventivamente e terão dez dias para apresentar suas defesas.
26 de agosto de 2026 10:53
Redação - Portal Arapuan Reprodução/TV Arapuan
Operação policial apura esquema de desvio de entorpecentes e corrupção. Frame: Reprodução/TV Arapuan

A Justiça da Paraíba aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou oito investigados réus na Operação Perfidus, que apura a atuação de uma suposta organização criminosa armada.

A decisão foi assinada na terça-feira (25). Com o recebimento da denúncia, começa formalmente a ação penal contra os acusados. A medida não representa condenação. A decisão divulgada nesta quarta-feira (26).

Entre os réus estão o delegado Braz Morroni de Paiva Júnior (foto em destaque) e os agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito.

Segundo o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), servidores da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio teriam atuado com integrantes do narcotráfico.

A acusação sustenta que o grupo se apropriava de carregamentos de drogas pertencentes a facções rivais. Posteriormente, os entorpecentes seriam reinseridos no comércio ilegal.

Os acusados também respondem por suposta lavagem de dinheiro, por meio da ocultação e dissimulação dos valores obtidos com as atividades investigadas.

O que diz a decisão

Ao analisar o caso, a Justiça considerou que o Ministério Público apresentou elementos suficientes para iniciar a ação penal.

A decisão afirma que a denúncia descreve as circunstâncias dos crimes, individualiza as condutas atribuídas aos acusados e apresenta indícios de autoria e materialidade.

A magistrada entendeu que não existiam motivos para rejeitar a acusação. Por isso, determinou o prosseguimento do processo, assegurando aos oito réus o direito à defesa e ao contraditório.

Sete réus continuam presos

A Justiça também manteve as prisões preventivas de sete acusados:

  • Braz Morroni de Paiva Júnior;
  • Everton Rychelyson da Silva Aires;
  • Eduardo Jorge Ferreira do Egito;
  • José Alexandrino de Lira Júnior;
  • João Wicttor Alves de Lima;
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza.

Entre os fundamentos apresentados estão a gravidade dos crimes investigados, a possível atuação estruturada do grupo e o risco de interferência na produção das provas.

Segundo a decisão, Braz Morroni teria exercido uma função de liderança institucional no suposto esquema.

Everton, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, é apontado pelo Ministério Público como articulador entre policiais e integrantes de facções criminosas.

Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”, teria participado da retirada de drogas de depósitos com a utilização de viaturas oficiais.

José Alexandrino é apontado como articulador do tráfico interestadual. João Wicttor teria atuado no refino, na adulteração e na distribuição de cocaína e crack na Grande João Pessoa.

Brendo Roberth seria responsável pela manipulação e circulação dos entorpecentes no comércio varejista.

Paulo Ricardo teria trabalhado como informante, participado da distribuição das drogas e acompanhado policiais em abordagens.

Todas as condutas descritas são acusações apresentadas pelo Ministério Público e ainda serão analisadas durante o processo.

O que dizem as defesas

A defesa de Eduardo Jorge afirmou que ainda não teve acesso integral aos elementos produzidos nas medidas cautelares ligadas ao processo principal.

Também questionou o compartilhamento dessas provas com outros processos penais antes da liberação completa do material para os advogados.

Em nota, a defesa declarou que “a paridade de armas, o contraditório e a ampla defesa não podem existir apenas formalmente”.

As defesas de Everton Aires e Braz Morroni não responderam até a última atualização da reportagem. Os representantes dos demais réus não foram localizados.

Próximas etapas do processo

Os oito réus serão citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.

Nesse período, as defesas poderão anexar documentos, indicar testemunhas e questionar pontos da denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Depois, o processo seguirá para a fase de instrução. Nessa etapa, serão produzidas e analisadas as provas, incluindo depoimentos de testemunhas e interrogatórios dos acusados.

A decisão também autorizou o compartilhamento das provas com outros inquéritos, procedimentos da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e apurações conduzidas pelo Ministério Público.

Entenda a Operação Perfidus

A Operação Perfidus investiga uma suposta organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos investigados.

Conforme a apuração, agentes públicos teriam utilizado informações e estruturas do Estado para localizar depósitos, desviar entorpecentes e favorecer atividades criminosas.

Braz Morroni possui mais de 20 anos de carreira e atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, em João Pessoa. Ele também já trabalhou na Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

O nome “Perfidus” significa “traição” ou “deslealdade” e faz referência à conduta atribuída aos servidores públicos investigados.

Resumo da Notícia

  • A Justiça tornou oito investigados réus na Operação Perfidus.
  • Entre os acusados estão um delegado e dois agentes da Polícia Civil.
  • Sete réus permanecem presos preventivamente.
  • O grupo é acusado de desviar e recolocar drogas no comércio ilegal.
  • As defesas terão dez dias para responder formalmente à acusação.

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