terça-feira, 28 de julho de 2026
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Justiça bloqueia R$ 11 mi em bens de 16 investigados no caso Padre Zé
Medida busca assegurar eventual ressarcimento ao erário em ação sobre supostas irregularidades envolvendo convênios de assistência social.
28 de julho de 2026 06:47
Thyago Lúcio - Portal Arapuan Divulgação/Hospital Padre Zé
Investigação apura supostas irregularidades envolvendo instituição filantrópica. Foto: Divulgação/Hospital Padre Zé

A Justiça da Paraíba determinou o bloqueio de até R$ 11,1 milhões em bens, imóveis e valores financeiros de 16 investigados no caso do Hospital Padre Zé, que apura supostos desvios de recursos públicos destinados ao Programa Prato Cheio, do Governo da Paraíba. A decisão foi assinada pelo juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, da 4ª Vara da Fazenda Pública de João Pessoa, e teve o sigilo retirado nessa segunda-feira (27).

A indisponibilidade dos bens foi solicitada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) em uma Ação Civil Pública por improbidade administrativa. Segundo o órgão, a medida busca garantir o ressarcimento aos cofres públicos caso os investigados sejam condenados ao fim do processo.

Entre os atingidos pela decisão estão o ex-diretor do Hospital Padre Zé, padre Egídio de Carvalho, apontado pelo Ministério Público como um dos principais investigados, além dos ex-secretários e outras 13 pessoas também tiveram bens bloqueados de forma solidária.


Juiz aponta indícios de atuação conjunta

Na decisão, o magistrado afirmou que os elementos apresentados pelo Ministério Público indicam a existência de um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados a projetos sociais e assistenciais, principalmente ao Programa Prato Cheio.

Segundo o juiz, os indícios apontam que as irregularidades não teriam ocorrido de forma isolada, mas envolveriam diferentes núcleos de atuação, incluindo integrantes da administração do hospital, agentes públicos e empresários.

O magistrado também destacou que uma decisão do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), que atribuiu administrativamente um débito de cerca de R$ 11 milhões apenas ao padre Egídio, não impede que os demais investigados respondam na ação de improbidade.


Entenda o Programa Prato Cheio

O Programa Prato Cheio foi criado por meio do Edital de Credenciamento nº 001/2021, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), com base na Lei Federal nº 13.019/2014.

O objetivo era credenciar Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para executar serviços socioassistenciais por meio de parcerias com o Estado.

O programa previa a transferência de recursos públicos para a aquisição e distribuição diária de refeições destinadas à população em situação de rua.

Entre 2021 e 2023, foram firmados 14 termos de colaboração, totalizando R$ 21.124.000 em recursos destinados às cidades de João Pessoa, Guarabira, Campina Grande, Pombal e Cajazeiras.


Ação é desdobramento de investigação criminal

A ação por improbidade administrativa é um desdobramento da investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Em janeiro de 2025, o Ministério Público denunciou os investigados por supostas fraudes nos convênios firmados entre o Hospital Padre Zé e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano.

A denúncia foi recebida pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) em maio deste ano, tornando os investigados réus na esfera criminal.

Também em maio, o Ministério Público apresentou uma nova denúncia apontando um suposto prejuízo de cerca de R$ 10 milhões aos cofres públicos relacionado aos convênios do Programa Prato Cheio.

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